Presidente da Polônia diz que não assina Tratado de Lisboa

Decisão preocupa Fança, que assume Presidência da UE nesta terça.

Da BBC Brasil, BBC

01 de julho de 2008 | 10h39

O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, afirmou nesta terça-feira que "não terá sentido" para ele assinar o Tratado de Lisboa, que prevê reformas na União Européia (UE), mesmo que o Parlamento de seu país tenha ratificado o documento em abril. O documento foi rejeitado em referendo na República da Irlanda no mês passado e, para ser válido, tem que ser ratificado por todos os 27 países membros da UE.O Tratado de Lisboa foi criado para, supostamente, facilitar o processo decisório na UE depois da ampliação do bloco, criando um novo presidente e um coordenador de Assuntos Externos.Kaczynski, um conservador que há muito se opõe ao tratado de reforma, fez sua declaração em entrevista ao jornal polonês, Dziennik. O correspondente da BBC na capital polonesa, Varsóvia, Adam Easton, disse que os comentários de Kaczynski não causam surpresa já que ele se opõe a uma maior integração européia. Segundo Easton, o presidente polonês prefere que o Tratado de Nice - que governa hoje a forma como a UE opera e dá à Polônia um peso desproporcional dentro do bloco - vigore por mais tempo.RejeiçãoKaczynski parece ter se unido ao presidente da República Checa, Vaclav Klaus, ao se opor abertamente à ratificação do Tratado de Lisboa. O presidente da Alemanha, Horst Koehler, também resolveu adiar a ratificação, à espera de que o mais alto tribunal de seu país decida questões legais sobre a aprovação do tratado.A situação deixa em situação delicada a França, que assume nesta terça-feira, em cerimônia no Arco do Triunfo, em Paris, a Presidência rotativa semestral do bloco.A Eslovênia vinha ocupando o cargo até agora.SarkozyO presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que "alguma coisa não está certa" com a UE. Ele advertiu que os seus cidadãos podem estar perdendo a fé na instituição."A Europa preocupa as pessoas e, pior do que isso, eu acho, é que pouco a pouco nossos cidadãos estão se perguntando se, no final das contas, o nível nacional não está melhor equipado para protegê-los do que o nível europeu", acrescentou, dizendo que este é "um passo para trás"."A primeira prioridade é identificar o problema com os eleitores irlandeses", disse Sarkozy.O presidente francês viaja para a capital irlandesa, Dublin, no próximo dia 11, para ter um contato com o eleitorado local.Os líderes da UE devem se reunir em outubro para ouvir do primeiro-ministro irlandês uma sugestão de como avançar depois que seus eleitores votaram pelo "Não".A França formulou planos ambiciosos para imigração, meio ambiente, agricultura e defesa para a pauta de sua Presidência.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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