Presidente da Ucrânia dá sinal de buscar acordo, mas premiê critica manifestantes

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, pediu uma sessão de emergência do Parlamento para encerrar a crise política e os violentos protestos, em um sinal de que ele pode estar disposto a suavizar sua dura posição e aceitar um acordo.

RICHARD BALMFORTH E PAVEL POLITYUK, Reuters

23 de janeiro de 2014 | 18h36

Yanukovich deve conversar nesta quinta-feira com líderes oposicionistas, incluindo o boxeador dos peso-pesados Vitaly Klitschko, que se tornou político. Manifestantes antigovernamentais na capital concordaram em firmar uma trégua com a polícia até as 20h (16h em Brasília), à espera do resultado.

Segundo a página do Parlamento na Internet, a sessão especial será realizada na terça-feira.

Em uma amostra do nível de desconfiança entre governo e oposição, o primeiro-ministro do país, Mykola Azarov, acusou os manifestantes de tentarem dar um golpe de Estado e descartou a possibilidade de antecipação da eleição presidencial para resolver o impasse.

"Todos aqueles que apoiam este golpe deveriam dizer claramente 'Sim, nós somos a favor da derrubada das autoridades legítimas da Ucrânia', e não se esconderem atrás de manifestantes pacíficos", declarou Azarov no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

"Uma autêntica tentativa de golpe de Estado está sendo promovida", disse ele, de acordo com a agência russa de notícias Interfax.

Azarov declarou à Reuters que o governo não tinha planos de instituir um estado de emergência: "Nós não vemos a necessidade de medidas duras e extremas no momento... Mas não coloquem o governo diante de um impasse", disse ele.

"As pessoas não deveriam pensar que o governo não dispõe de recursos para acabar com isso. É nosso direito constitucional e obrigação restaurar a ordem no país."

Os protestos contra Yanukovich começaram em novembro, quando ele desistiu de assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia em favor de laços econômicos mais estreitos com a Rússia, que dominava o país na era soviética.

A agitação aumentou nas últimas semanas e se tornou violenta no domingo, quando radicais linha-dura deixaram a principal área do protesto na capital, Kiev, e entraram em violento confronto com a polícia antimotim.

Três pessoas foram mortas do lado dos manifestantes -- duas delas com ferimentos de bala -- e mais de 150 policiais ficaram feridos.

No interior, milhares de pessoas invadiram nesta quinta-feira a sede do governo regional em Rivne, no oeste do país, quebrando portas e exigindo a libertação de pessoas presas nos protestos locais, informou a agência de notícias Unian.

ALARME NO EXTERIOR

A turbulência na Ucrânia vem causando preocupação no exterior. Um porta-voz da Casa Branca alertou para possíveis sanções contra o país e disse que as tensões eram o resultado direto de um governo que fracassa em reconhecer as "legítimas" reivindicações de seu povo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou revolta com a repressão aos manifestantes.

"Nós estamos amplamente preocupados, e não somente preocupados, mas também indignados pelo modo como foram aprovadas leis que põem em questão essas liberdades", disse ela em entrevista à imprensa.

Mas Merkel acrescentou que nesta fase seria errado se a Europa respondesse à violência com sanções.

O presidente francês, François Hollande, apelou às autoridade ucranianas que "busquem rapidamente o diálogo".

O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev pediu que os presidentes da Rússia e Estados Unidos ajudem a mediar negociações e disse que a Ucrânia está diante de uma possível "catástrofe".

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