Presidente de CPI acha 'difícil' adiar depoimento de Cachoeira

O presidente da CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse nesta quarta-feira ser "difícil" o adiamento do depoimento do empresário à comissão, marcado para o dia 15,

REUTERS

09 Maio 2012 | 21h45

De acordo com ele, a data do depoimento deve ser mantida, "mesmo que ele (Cachoeira) venha usando as garantias constitucionais" e não responda aos questionamentos dos parlamentares.

"Tenho consultado as lideranças, quis democratizar as minhas decisões pessoais ouvindo os líderes. Entendo que é de direito a defesa fazer suas petições. Mas a CPI tem um calendário. Ouvi o relator, ouvi as lideranças, e acho que o encaminhamento que eu devo dar é manter a convocação para o dia", disse o senador a jornalistas.

Na segunda-feira o advogado de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, reuniu-se com Vital do Rêgo e pediu o adiamento do depoimento de seu cliente.

Bastos, que chefiou a pasta durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegou que Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar um esquema de jogos ilegais, não teve acesso a todo teor das acusações.

O advogado disse ainda, na ocasião, que se o adiamento fosse negado, seu cliente lançaria mão do direito de permanecer calado para não se incriminar.

Segundo denúncias publicadas na imprensa e baseadas em interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal, Cachoeira se beneficiaria de suas relações com políticos, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teria pedido ao empresário que pagasse despesas com táxi aéreo e repassado a ele informações de reuniões reservadas que manteve com autoridades.

Demóstenes, que deixou o DEM após o partido abrir processo de expulsão contra ele por conta das acusações, enfrenta processo no Conselho de Ética no Senado que pode resultar na cassação de seu mandato.

GURGEL

O senador Vital do Rêgo também disse nesta quarta que o plenário da CPI enfrenta uma "divisão" sobre a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, à comissão.

Alguns integrantes da CPI querem ouvir Gurgel sobre as investigações do Ministério Público decorrentes das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.

Eles também buscam explicações sobre uma suposta demora de Gurgel em encaminhar as investigações ao Supremo Tribunal Federal, já que as operações datam de 2009 e apontavam envolvimento de parlamentares em irregularidades.

"O julgamento da posição da procuradoria cabe a cada um (dos parlamentares)", disse Rêgo, acrescentando que a votação dos requerimentos de convocação de depoentes está marcado para a quinta-feira da semana que vem.

Na semana passada, Gurgel recusou convite para depor à CPI, alegando que ainda não concluiu suas investigações e, portanto, estaria assim impedido de depor como testemunha à comissão.

O procurador atribui, nesta quarta-feira, as críticas que vem sofrendo a pessoas que "estão muito preocupadas" com o julgamento no STF do Mensalão, escândalo deflagrado em 2005 durante o governo do ex-presidente Lula em que parlamentares teriam recebido dinheiro em troca de apoio político.

A Procuradoria-Geral da República também divulgou nota na semana passada, em que afirma que os documentos apresentados em 2009 da Operação Vegas eram insuficientes para acionar o Supremo, o que foi feito em março deste ano, quando Gurgel recebeu os dados da Operação Monte Carlo.

As duas operações realizadas pela Polícia Federal são a matéria-prima para a CPI.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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