Presidente de sindicato é chamado para depor na polícia

O presidente do sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo (Sindmotoristas), Isao Hosogi, o Jorginho, será oficiado pela Polícia Civil para prestar depoimento na tarde desta sexta-feira, 12, sobre o tiroteio em frente à sede da entidade, que resultou em dez pessoas feridas, uma gravemente.

CAIO DO VALLE, Agência Estado

12 de julho de 2013 | 14h45

O episódio ocorreu na noite dessa quarta, 10, e envolveu opositores de Jorginho, descontentes com a forma como a entidade vinha conduzindo a eleição para a presidência do sindicato. Paus, pedras e lixo foram arremessados contra a fachada da sede do Sindmotoristas, na Rua Pirapitingui, na região central da cidade. Além disso, foram disparados ao menos 30 tiros, segundo testemunhas.

De acordo com a polícia, os disparos teriam partido de fora e também de dentro do prédio da entidade. No momento da confusão, Jorginho e outros diretores do sindicato estavam no interior do edifício, preparando a remessa das urnas para as 32 garagens de empresas de ônibus, a fim de que cerca de 29 mil funcionários do setor pudessem votar. A eleição estava programada para ocorrer durante quinta, 11, e esta sexta, mas foi adiada para os dias 25 e 26 de julho por causa do tumulto.

Na manhã de hoje, em coletiva para a imprensa, Jorginho afirmou que expedirá ofícios para o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para o Comando Geral da Polícia Militar, para o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo "segurança e integridade física" dos membros da categoria nos dias da eleição. O objetivo é coibir o que ocorreu na quarta-feira.

"A eleição tem que acontecer, porque o mandato desta diretoria está acabando. A comissão eleitoral está pedindo, está implorando para as autoridades estarem presentes neste pleito", afirmou Jorginho.

Ele atacou a chapa contrária à sua, encabeçada pelo atual secretário de finanças do sindicato, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa, que esteve presente na frente do sindicato no dia do tiroteio. "Eles não querem que o pleito aconteça neste momento", disse Jorginho, acrescentando que seus opositores entraram com 15 ações na Justiça para tentar anular as eleições, todas indeferidas.

O secretário-geral do sindicato, Edivaldo Santiago Silva, que já foi aliado de Jorginho, também integra a chapa adversária. Ontem, ele acusou Jorginho de empregar policiais na segurança da entidade. "A máquina do sindicato está sendo usada de forma indevida. Há policiais armados lá dentro, sendo pagos com o dinheiro dos associados", disse Silva.

Nesta sexta, Jorginho rebateu e disse que emprega policiais militares (dois na ativa) apenas como guarda-costas pessoais. Ele afirmou ainda que um policial civil esteve presente no sindicato no momento dos disparos e que não sabe se ele atirou também. "A Polícia Civil não foi contatada pelo sindicato para fazer qualquer tipo de serviço. Eu quero deixar bem claro."

Jorginho diz desconhecer a versão de que houve tiros disparados de dentro do sindicato. "Eu não posso falar uma coisa que não vi. Para mim, os tiros que foram alvejados, está aí a câmera (de vigilância) para mostrar, vieram de fora para dentro. Teve tiros até no teto da entidade, mais de 20 tiros."

O presidente, que está no cargo desde 2004 e que tenta se manter por mais cinco anos, disse ter medo de ser morto e que, por isso, não pode contar tudo o que sabe sobre os bastidores do sindicato. Ele pede para ser ouvido pelas polícias Civil e Federal sobre o assunto.

O depoimento dele hoje à Polícia Civil está previsto para ocorrer no 5.º Distrito Policial (Aclimação), na zona sul, responsável pela investigação do caso. Noventa, seu opositor, já foi ouvido pelos policiais. Ele afirmou que saiu da frente do sindicato no momento em que a confusão começou.

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