''Presidente dos prazos'' vê tática fracassar

Obama sofre desgaste por impor cronograma para resolver grandes temas

Sheryl Gay Stolberg, O Estadao de S.Paulo

21 Dezembro 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama só estava há dois dias no poder quando se proclamou o "presidente dos prazos".

Naquele dia, 22 de janeiro, ele assinou uma ordem executiva determinando o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, dentro de um ano - um prazo rígido que foi determinado por escrito para todos os americanos verem. E nos 11 meses seguintes, o presidente estabeleceu prazos e cronogramas para tudo, desde a reforma da saúde até o Irã. Muitos deles não puderam ser cumpridos.

Agora, à medida que o seu primeiro ano na presidência se aproxima do fim, o homem que marcou sua campanha com "a feroz urgência do agora" enfrenta uma realidade dolorosa, que é uma urgência não tão feroz do próximo ano.

No Congresso, o presidente estabeleceu o que o seu principal assessor, David Axelrod, chamou de "um calendário muito agressivo", apenas para descobrir em seguida que os deputados e senadores não respondem necessariamente a uma admoestação presidencial.

Obama exortou os parlamentares aprovarem até o final do ano um projeto de lei sobre energia e uma nova reformulação das normas reguladoras do setor financeiro (a Câmara aprovou, o Senado, não). Insistiu para as comissões do Congresso concluírem em agosto o estudo dos seu projetos de lei de reforma do sistema de saúde (quatro em cada cinco comissão concluíram: ou seja, 80% delas). Afirmou que sancionaria a lei no fim do ano (o que parece improvável). Agora, ele vem pressionando o Senado para aprovar o seu projeto de lei até o Natal (estamos em contagem regressiva).

No campo das relações exteriores, Obama prometeu assinar um novo tratado de controle de armas com a Rússia, o Start, em 5 de dezembro.

O prazo expirou há três semanas, mas após reunião com o presidente Dimitri Medvedev, sexta-feira em Copenhague, ele disse que o acordo está "praticamente fechado".

Obama também preveniu o Irã para responder às suas aberturas diplomáticas, quanto ao seu programa nuclear, até o fim do ano - o governo de Teerã o desafiou e a Casa Branca agora ameaça reagir com sanções.

No Afeganistão, o prazo que ele estabeleceu não ficou muito claro, ao declarar que começará a retirar as tropas no início de julho de 2011, sem dar uma data final de saída.

Historiadores dizem não se lembrar de algum presidente na era moderna que tenha usado prazos e cronogramas de modo tão persistente como Obama. Presidentes têm tendência a insistir, engambelar, exortar. Mas a menos que sejam ameaças a adversários estrangeiros - como é o caso de Obama com o Irã e como ocorreu com o ex-presidente George W. Bush em relação a Saddam Hussein -, em geral eles evitam se sentir encurralados, presos a prazos pré-fixados.

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