Presidente egípcio discute novos poderes com juízes

O presidente do Egito, Mohamed Mursi, vai se reunir nesta segunda-feira com juízes de altas instâncias para tentar atenuar a crise iniciada com o decreto pelo qual ele se atribuiu mais poderes, e que motivou violentos protestos no país.

TOM PERRY E PATRICK WERR, Reuters

26 de novembro de 2012 | 09h47

A Bolsa do Egito despencou no domingo, quando operou o primeiro pregão desde a emissão do decreto presidencial, na noite de quinta-feira, que amplia temporariamente os poderes de Mursi e blinda suas decisões de serem contestadas na Justiça.

Críticos disseram que o presidente, um político de tendência islâmica, está agindo como um ditador.

Mais de 500 pessoas ficaram feridas durante protestos entre policiais e manifestantes preocupados com o predomínio político da Irmandade Muçulmana no Egito, menos de dois anos depois da revolução popular que derrubou a ditadura de Hosni Mubarak.

Um membro da Irmandade foi morto e 60 pessoas ficaram feridas no domingo num ataque à sede regional do grupo islâmico na cidade de Damanhour, no delta do Nilo, segundo o site do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade.

A principal autoridade judicial egípcia sinalizou a intenção de aceitar um acordo para evitar uma escalada, mas adversários de Mursi exigem a revogação completa do decreto, que eles veem como uma ameaça à democracia.

O Conselho Judicial Supremo disse que o decreto de Mursi deveria valer apenas para "questões soberanas", o que indica que não há uma rejeição total à medida. O órgão também pediu a volta ao trabalho de juízes e promotores que entraram em greve no domingo.

A imprensa estatal disse que Mursi vai se reunir na segunda-feira com o Conselho Judicial Supremo.

O gabinete presidencial repetiu as garantias de que as medidas serão temporárias, e disse que Mursi deseja um diálogo com outros grupos políticos sobre o teor da futura Constituição, o que é uma das questões no centro da crise.

Os protestos violentos contra o decreto presidencial evocaram as imagens da revolução de 2011 que derrubou Mubarak e abriu caminho para a eleição de Mursi. Pelo terceiro dia consecutivo, havia ativistas acampados na praça Tahrir, no Cairo, epicentro da revolta do ano passado. Eles bloqueavam o trânsito com barricadas improvisadas, e perto dali havia confrontos intermitentes entre policiais e manifestantes.

Partidários e adversários de Mursi planejam grandes manifestações na terça-feira, o que pode desencadear mais violência nas ruas.

"Estamos de volta à estaca zero, politicamente, socialmente", disse o analista financeiro Mohamed Radwan, da empresa Pharos Securities. Por causa da instabilidade política, a Bolsa do Cairo teve queda de quase 10 por cento, situação em que os negócios foram automaticamente interrompidos. Foi a maior queda desde a rebelião contra Mubarak.

(Reportagem de Yasmine Saleh e Marwa Awad, no Cairo, e Philip Barbara em Washington)

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