Presidente russo diz não ter interesse em retomar Guerra Fria

O presidente da Rússia, Vladimir Putin,colocou panos quentes em recentes e belicosas declaraçõessaídas do governo dele, disse na quinta-feira que seu país nãopretende retomar a Guerra Fria. As críticas lançadas contra a ampliação da Organização doTratado do Atlântico Norte (Otan) e contra os planosnorte-americanos de montar um escudo de defesa antimíssiltransformaram-se em marcas típicas da Presidência de Putin, quetambém lançou esforços para aumentar as Forças Armadas russas. Mas, em sua última entrevista coletiva anual antes dedeixar o Kremlin, em maio, o dirigente adotou uma postura maisconciliadora, mesmo que tenha reafirmado a oposição da Rússiaao plano de potências ocidentais de permitir que Kosovo, umaProvíncia da Sérvia, declare independência. "Dizer que desejamos voltar à época da Guerra Fria nãopassa de uma suposição infundada", afirmou Putin a centenas derepórteres reunidos no Salão Circular do Kremlin. "Não estamos interessados nisso. Nossa meta principal é odesenvolvimento interno, a solução dos problemas sociais eeconômicos do país." A Rússia deseja trabalhar "rumo à construção de um diálogopositivo" com quem quer que vença a eleição presidencial nosEUA e não pretende, a não ser que isso seja de "extremanecessidade", apontar seus mísseis nucleares para nenhum país,afirmou. Respondendo a questões sobre o futuro da Rússia após opleito presidencial, Putin disse nunca ter desejado aferrar-seao poder pela vida toda e que ficaria feliz por dar lugar aDmitry Medvedev, o candidato favorito para vencer a eleição de2 de março. Putin, 55, disse que se tornará primeiro-ministro noprovável governo Medvedev, mas rejeitou as sugestões de quecontinuaria a dar as ordens por detrás do palco. "Dmitry Anatolyevich (Medvedev) e eu trabalhamos juntos hámais de 15 anos. E eu nunca daria apoio a um candidato para aPresidência se ele necessitasse de afagos ou conselhos a fim desaber como se comportar. Ele é um político maduro." O presidente afirmou ainda que seria premiê "durante operíodo máximo de tempo possível" no governo Medvedev. Pela primeira vez, usando seu linguajar tipicamenteincisivo, o líder russo tratou das acusações surgidas em algunsmeios de comunicação do Ocidente sobre ter amealhado uma grandefortuna pessoal. "Sou rico porque o povo russo me confiou por duas vezes atarefa de liderar um grande país como a Rússia", disse Putin."Acredito que essa é a minha maior riqueza." "Já no que diz respeito aos vários boatos sobre minhafortuna pessoal. Essas são declarações vazias que nemmereceriam ser discutidas," afirmou. "Eu vi isso em algunslugares. Um monte de bobagens. Algo tirado da cabeça de alguéme disseminado por alguns poucos jornais."

MICHAEL STOTT, REUTERS

14 de fevereiro de 2008 | 12h46

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