Preso em Taubaté médico acusado de abusar de pacientes

Ginecologista nega acusações feitas por 24 mulheres desde o início de março; advogado vai pedir revogação da prisão

João Carlos de Faria / TAUBATÉ ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

O médico ginecologista Hélcio Andrade, acusado de abusar sexualmente de 24 pacientes durante procedimentos médicos na rede pública de saúde, foi preso ontem em Taubaté (SP). "Sempre fui íntegro e profissional", disse Andrade, após prestar depoimento, destacando que sua "trajetória de vida" servirá como defesa.

Antes de ser preso, o ginecologista prestou depoimento por nove horas na Delegacia de Defesa da Mulher. Segundo a delegada titular, Fernanda Rangel da Silva Brandão, Andrade respondeu a todas as perguntas, mas negou as acusações.

O médico foi encaminhado ao Centro de Triagem de Presos de Taubaté, onde pode permanecer por até 30 dias, prazo de validade da prisão provisória.

O advogado Sergio Badaró, que defende o médico, declarou que pretende pedir ainda hoje a reconsideração de um pedido anterior para revogar a prisão de Andrade. O inquérito policial deve ser encaminhado à Justiça em dez dias.

Investigação. As investigações sobre os possíveis crimes de Andrade, que teriam sido cometidos na Casa da Mulher Taubateana, ligada à rede pública de saúde do município, começaram em março, depois que três mulheres fizeram boletim de ocorrência contra o ginecologista. Após as primeiras denúncias, outras 21 mulheres procuraram a polícia para prestar queixa.

Houve também, na época, manifestação de um grupo de pacientes do consultório particular do médico, que saiu em sua defesa. O grupo voltou a se manifestar diante da delegacia na manhã de ontem, defendendo a inocência de Andrade.

PARA LEMBRAR

Abdelmassih é acusado de 56 crimes sexuais

O médico Roger Abdelmassih, que foi dono de uma das mais famosas clínicas de fertilidade do Brasil, é acusado de ter cometido 56 crimes sexuais contra pacientes. As acusações vão de atentado violento ao pudor a estupro. As investigações do Ministério Público começaram em 2008. O médico foi indiciado em junho de 2009 e ficou preso de agosto a dezembro. Atualmente, ele responde à Justiça em liberdade. Abdelmassih teve seu registro profissional suspenso indefinidamente e parte de seus bens confiscada. O médico, que também é investigado por manipulação genética, nega as acusações.

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