Presos 17 acusados de operar jogo do bicho em MT

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça confirmam os indícios de envolvimento de delegados e policiais

NELSON FRANCISCO, Agencia Estado

16 de outubro de 2007 | 17h54

Uma suposta quadrilha foi presa nesta terça-feira, 16, em Mato Grosso acusada de operar o jogo do bicho no Estado. Dois delegados da Polícia Civil, seis policiais - quatro militares e dois civis - e empresários foram presos por integrantes do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). Ao todo, 17 pessoas foram detidas acusadas de corrupção e formação de quadrilha. Novas prisões serão decretadas, segundo o Ministério Público. A quadrilha era chefiada de dentro do presídio de segurança máxima Pascoal Ramos, em Cuiabá, pelo suposto bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Ele foi transferido hoje para o presídio federal de Campo Grande (MS). Os indícios de envolvimento de delegados e policiais com o crime organizado e o jogo do bicho, até então dado como desarticulado no Estado desde dezembro de 2002, são as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e apreensão de documentos, segundo o promotor Mauro Zaque e a procuradora de Justiça Eliane Maranhão, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).Um dos presos, Giovani Zem Rodrigues, genro do bicheiro, é acusado de ser o braço direito da quadrilha para atuar em cidades como Cuiabá, Várzea Grande e no norte do Estado. Os contatos para manter os jogos de contravenção, propinas e subornos ocorriam durante visitas ao presídio com as ordens de Arcanjo. Do grupo preso, dois policiais, Basílio Monteiro de Oliveira e Robson Bernardino da Silva, faziam parte do Bope. "Não podemos permitir que o Estado possa atuar de forma criminosa ao invés de combater o crime", disse Zaque.Ligações As ligações telefônicas confirmam o pagamento de propina feito por Arcanjo Ribeiro para não reprimir o jogo do bicho no Estado. Os valores pagos aos policiais e delegados seriam em média de R$ 1,5 mil por mês, segundo investigação do Ministério Público, para evitar prisões e liberar veículos apreendidos. Um dos delegados presos, Richard Damasceno, disse que é vítima dos grupos que disputam o jogo do bicho no Estado. Segundo ele, as denúncias de que receberia propina não têm cabimento. A delegada Helena Heloíse Miranda evitou a imprensa. Em nota, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública informou que a prisão dos delegados e policiais é uma decisão do governo estadual para "adotar medidas firmes para que prevaleça o interesse público e o fortalecimento das instituições policiais". Diz ainda que as polícias civil e militar têm "a determinação de agir com rigor contra o crime organizado fazendo prevalecer o interesse da população". Os advogados do suposto bicheiro não quiseram comentar a investida do Ministério Público para combater o crime organizado no Estado. Preso em Montevidéu em 11 de abril de 2003, por falsificação de documentos, Arcanjo foi deportado para o Brasil em março do ano passado. Já foi condenado a 49 anos de prisão em Mato Grosso e ainda responde a processos por crime organizado, formação de quadrilha, homicídios, lavagem de dinheiro, contrabando e evasão de divisas. Ao todo, o acusado cujo patrimônio é avaliado em R$ 2,4 bilhões responde a 18 processos na Justiça Federal e 51 na Justiça Estadual. Na lista de denúncias consta o assassinato do jornalista Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, em 30 setembro de 2002.

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