Presos 60 suspeitos por atentado no Iraque

O governo iraquiano deteve ontem 11 militares e 50 funcionários de segurança responsáveis por proteger o distrito de Bagdá onde um ataque coordenado no domingo matou 155 pessoas. Todos serão investigados por negligência e envolvimento no atentado.

AP , BAGDÁ, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

As explosões no Ministério da Justiça e em um prédio do governo provincial, ambos no coração da capital iraquiana, enfureceram a população, que questiona como os motoristas puderam passar com a carga explosiva pelos vários postos de controle sem serem descobertos.

"Se o resultado das investigações mostrar que funcionários responsáveis pela segurança foram negligentes ou ajudaram os militantes, eles serão presos", afirmou o general Qassim al-Moussawi, porta-voz do Exército.

Moussawi também informou que outros suspeitos de participação no atentado foram detidos, mas não deu detalhes sobre as prisões. O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, está sob intensa pressão por causa da disputa eleitoral de janeiro e tenta provar que Exército e polícia podem assumir a segurança do país, permitindo que as tropas americanas deixem o Iraque.

Com o patrulhamento reforçado após o ataque, a população de Bagdá tem enfrentado grandes congestionamentos. Muitos iraquianos, porém, não confiam nas nas medidas do governo e acham que Maliki está apenas querendo mostrar trabalho em vez de procurar os culpados de fato.

O pedreiro Mouaid Said, de 34 anos, acredita que os detidos foram, na realidade, vítimas da arbitrariedade policial. "Eles querem dizer que esses presos são os responsáveis e mostrar que estão resolvendo o problema", disse. O parlamentar sunita Khalaf al-Ilyan pediu transparência na investigação. "Acho que as prisões foram um passo muito perigoso", afirmou. Um grupo ligado à Al-Qaeda assumiu a autoria do ataque.

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