Presos cinco por fraude em teleférico de Campos do Jordão

Funcionários desviaram até metade do valor em caixa quando passavam duas pessoas na catraca ao mesmo tempo

Simone Menocchi, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2009 | 14h03

Depois de dois meses de investigações a Polícia Civil de Campos do Jordão prendeu nesta terça-feira, 27, cinco funcionários públicos do governo do Estado acusados de desvio de dinheiro. A denúncia partiu da Secretaria de Estado de Turismo, responsável pela Estrada de Ferro Campos do Jordão, que administra as atrações turísticas na cidade como parques, trenzinho e teleférico.   Segundo o delegado Fernando Pato, os funcionários - cinco presos e outros sete com suspeitas de envolvimento no esquema - tiveram as ligações telefônicas interceptadas pela Justiça. Nas ligações eles comentavam como era o esquema de desvio do dinheiro arrecadado na bilheteria. Com as provas em mãos a polícia fez as prisões nesta manhã. O delegado contou que os servidores públicos desviavam pelo menos metade da bilheteria passando duas pessoas por vez na catraca, que registrava somente uma pessoa.   Com capacidade para transportar até 600 pessoas por hora, o teleférico - que funciona desde 1970 - é considerado uma das atrações mais procuradas pelos turistas que vão a Campos do Jordão pela primeira vez. As cadeiras individuais sobem ao Morro do Elefante a uma altura de 1.800 metros, sempre de quinta-feira a domingo, e também durante os feriados. Os visitantes então descem das cadeiras no Morro do Elefante para apreciar a vista panorâmica e depois retornam. A distância entre uma cadeira e outra é de dez metros.   Normalmente, aos finais de semana, a fila para entrar no brinquedo é grande e isso era um motivo a mais para que os funcionários "agilizassem" a entrada no brinquedo, passando duas pessoas por vez na catraca. "Fazendo assim, passavam duas pessoas, mas a catraca contabilizava apenas uma. Os ingressos a mais recolhidos eram devolvidos na bilheteria para serem revendidos. Acreditamos que metade da renda diária era desviada", disse o delegado que investiga o caso, Fernando Pato. Os ingressos custam R$ 10 e o brinquedo chega a movimentar cerca de R$ 1 milhão por ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.