Presos mantêm seis reféns em motim em Salvador

Cerca de 80 presos que superlotam a carceragem - feita para 35 homens - da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), localizada no Complexo dos Barris, região central da capital baiana, fazem seis colegas reféns desde as 10 horas de hoje. Os presos exigem transferência para outras unidades prisionais. Segundo informações dos rebelados, as celas já chegaram a abrigar 135 pessoas.O motim teve início após uma vistoria nas celas. Com os presos foram encontrados um celular e um carregador. Segundo o delegado Carlos Habib, titular da DTE, além dos objetos, os policiais descobriram um buraco que estava sendo cavado em uma das celas e ligações clandestinas, vindas de fora, que permitiam o uso de energia elétrica para recarregar os celulares.Segundo Habib, os presos feitos reféns pelos próprios colegas estão com panos brancos sobre as cabeças e com objetos pontiagudos, feitos com garfos e facas, encostados em seus pescoços. "Esse tipo de objeto não pode entrar aqui dentro. A Polícia Civil está trabalhando sobrecarregada. Nosso pessoal aqui não tem condições de fazer revista duas vezes por semana em cerca de 160 parentes que aparecem aqui. Lugar de preso não é em delegacia, mas sim em unidades prisionais adequadas", afirmou o delegado.Os promotores de Justiça Isabel Adelaide Andrade e Edmundo Reis, ela do Grupo Especial de Atuação no Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), ele do Núcleo de Investigacão do Crime Organizado (NIC-Gaeco), foram chamados ao complexo, para ajudar nas negociações. Foram mobilizados para o complexo ambulâncias, bombeiros, homens da Coordenadoria de Operações Especiais e o Policiamento de Choque.Colchões incendiadosColchões e cobertores foram incendiados pelos detentos, que quebraram todas as grades das celas e jogaram fora as refeições, segundo informou Habib. "Nós já entramos em contato com a Secretaria de Justiça, para que eles vejam para onde os detentos pode ser transferidos. Neste momento os ânimos já se acalmaram", completou o delegado. O complexo dos Barris é formado também pela Delegacia de Homicídios e pela 1ª Delegacia de Polícia. Atualmente mantém entre 250 e 300 presos nas três delegacias, cerca de 200% acima de sua capacidade total, o que o coloca na dimensão de presídios como os de Feira de Santana (município a 110 quilômetros de Salvador e com 570 mil habitantes). Há cerca de três meses, segundo Habib, as mulheres que se encontravam presas no local foram transferidas para as celas da 6ª DP (Brotas), mas o local voltou a ficar superlotado.

RICARDO VALOTA, Agencia Estado

08 de dezembro de 2007 | 18h16

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