Presos suspeitos de tortura em centro terapêutico no RS

Jovens internados pediram para deixar a instituição; policiais encontraram porretes e remédios sem receita

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2008 | 15h10

A Polícia Civil prendeu dois monitores acusados de maltratar os pacientes do Centro Terapêutico Cidade do Refúgio, em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, na noite de quarta-feira, 7. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela Justiça a pedido do Ministério Público Estadual, que investigava denúncias de tortura na instituição.   O centro tem cinco unidades no município da região metropolitana de Porto Alegre e é dirigido pelo pastor Tarcílio Quirino e sua mulher Lúcia Otília Ferreira de Lima Quirino, ligados à Igreja Missão Para Evangelização dos Povos.   Na busca, os policiais também encontraram oito porretes, um instrumento artesanal de madeira com pregos e fio elétrico, um simulacro de arma de fogo e comprimidos de amitriplina, biperideno, carbamazepina, clorpromazina, diazepan, fenobarbital, haloperidol e lítio, sem receitas.   Cerca de 25 jovens internados para desintoxicação de drogas aproveitaram a presença da polícia e pediram para deixar o estabelecimento. Eles foram levados à delegacia, ouvidos e encaminhados às suas famílias. Alguns relatos confirmaram a ocorrência de espancamentos e castigos cruéis como afogamento em fossa para quem transgredisse as regras da centro terapêutico ou tentasse sair dele sem autorização.   Segundo a promotora Cinara Vianna Dutra Braga, o centro, em tese, faria a manutenção pós-tratamento de dependentes químicos, com atividades laborais, de lazer e de oração, mas na prática acabou transgredindo seus limites, tanto por ministrar medicamentos sem ter profissionais habilitados para isso quanto por aplicar métodos agressivos.   Apesar das constatações do Ministério Público e da polícia, o centro não foi fechado e segue com a maior parte de seus 335 internados. Os diretores alegaram desconhecer os problemas apontados e comprometeram-se a contratar médicos e enfermeiros num prazo de 20 dias.   Texto ampliado às 19 horas

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