Pressão levou Igreja a divulgar guia

A divulgação do guia prático sobre o processo de punição dos sacerdotes que praticam abusos sexuais contra menores deve-se à necessidade de se dar transparência a uma questão que, por causa da pressão sofrida pela Igreja, não pode mais ser discutida entre quatro paredes.

Análise: José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

Além do inesperado da divulgação de um documento reservado, datado de 2003, redigido em latim e distribuído apenas aos bispos, destaca-se a recomendação, condensada em uma linha, de que "se de deve seguir sempre o direito civil em matéria de informação dos delitos às autoridades competentes". Ou seja: os bispos têm a obrigação de denunciar o crime à Justiça para que os acusados sejam punidos também pela sociedade. Não basta comunicar à Congregação para a Doutrina da Fé, o tribunal eclesiástico da Igreja.

O clérigo que abusar de menores de 18 anos, segundo normas baixadas pelo então cardeal Joseph Ratzinger em maio de 1983, quando era prefeito da Doutrina da Fé, pode ser punido com a exclusão do exercício do sacerdócio. Os documentos da Santa Sé não usam a palavra pedofilia (gosto por criança, em grego), mas de abusos sexuais contra menores de idade, delito classificado entre os pecados mais graves contra o sexto mandamento do Decálogo ? "Não pecarás contra a castidade."

É JORNALISTA DO "ESTADO DE S.PAULO"

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