Prevenção e repressão são 2 faces da mesma moeda

As pesquisas divulgadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública fazem parte de ambicioso programa de trabalho sobre juventude e prevenção da violência que o Ministério da Justiça nos convidou a fazer parte. (...) O Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) permite um panorama apurado das condições de vida dos jovens brasileiros residentes nos municípios com mais de 100 mil habitantes e tem potencial de se transformar num refinado mecanismo de monitoramento do que vem acontecendo no Brasil. Por ele, entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, são aquelas de porte médio que apresentam, em termos relativos, maior vulnerabilidade juvenil à violência, revelando a complexidade da violência e os desafios existentes.

Renato Sérgio de Lima*, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

A violência, enquanto manifestação, é considerada de forma mais abrangente do que apenas a questão criminal e envolve aspectos ligados às condições socioeconômicas e demográficas. Dessa forma, naquilo que diz respeito especificamente à área da segurança, essa postura exige que sejam pensadas estratégias que compreendam as políticas de segurança pública como bem mais amplas do que somente a atividade policial, num ciclo que contemple prevenção e repressão como duas faces de uma mesma política.

As polícias, até pelos resultados do levantamento realizado pelo Datafolha - e que indicam uma tensa relação entre policiais e jovens - são peças-chave no intricado novelo das políticas sociais. Elas não podem desconsiderar os resultados no planejamento operacional de suas ações e, paralelamente, não devem ser responsabilizadas de modo exclusivo pelo cenário traçado.

O IVJ também chama a atenção para o papel ativo dos municípios, que devem discutir o impacto de suas ações e, mesmo, de outras esferas de governo, incluindo outros poderes, como o Judiciário e o Legislativo. Aprofundando as conclusões, a violência faz parte do cotidiano de cerca de 30% da população jovem dos municípios investigados pelo Datafolha, com algumas cidades com níveis de exposição bem maiores do que outras. Esse porcentual demonstra a gravidade da situação, que não pode ser negada, e o fato de ela ser circunscrita a determinadas áreas e locais.

A violência é desigualmente distribuída e não pode ser objeto de uma única estratégia de enfrentamento. Até por essa razão o projeto continua em andamento e a próxima etapa consiste em entrevistar jovens com vistas a identificar características que determinam a trajetória de envolvimento deles com a violência e, esperamos, fatores de prevenção passíveis de serem replicados.

* Sociólogo, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e coordenador-geral do Projeto Juventude e Prevenção da Violência

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