Prévia na Pensilvânia pode decidir disputa democrata

Primária pode firmar candidatura de Barack Obama ou dar fôlego a Hillary CLinton.

Bruno Garcez, BBC

22 de abril de 2008 | 06h00

Os eleitores do Estado americano da Pensilvânia vão às urnas nesta terça-feira para escolher o candidato democrata que poderá representar o partido na disputa à Casa Branca, em novembro deste ano. Uma vitória do senador Barack Obama no Estado praticamente liquidaria as chances da senadora Hillary Clinton, que conta com um número inferior de delegados e que está atrás do rival em votos populares. Mas uma vitória de Hillary por uma margem de dez pontos percentuais ou mais poderia dar fôlego à sua candidatura e reforçar a tese de seus correligionários de que ela é mais capaz de faturar os grandes Estados americanos do que Obama.Campanha extensaA disputa no Estado representou um hiato dentro do corrido calendário eleitoral das primárias democratas. Os candidatos contaram com extensas sete semanas de campanha na Pensilvânia.O longo período permitiu que Hillary e Obama cometessem gafes, trocassem as mais pesadas acusações desde o início da disputa e se reinventassem como políticos que compartilham dos hábitos de seus eleitores. Em cada parada da campanha no Estado, os candidatos aproveitaram para jogar boliche, comer hambúrgueres e cachorros-quentes, virar doses de uísque e bebericar cerveja. Para se mostrar em sintonia com os anseisos dos votantes do Estado, predominantemente brancos, com nível médio de escolaridade e severamente atingidos por um dos maiores índices de desemprego dos Estados Unidos, na faixa de 7%, os dois candidatos intensificaram críticas a trados de livre comércio como o Nafta, o Acordo de Livre Comércio das Américas, e a proposta defendida pelo governo Bush de firmar um acordo de livre comércio com a Colômbia.O tratado com a Colômbia chegou mesmo a custar a cabeça do principal estrategista da campanha de Hillary Clinton, Mark Penn. Ele acabou sendo forçado a pedir demissão após ter se encontrado com autoridades colombianas para discutir meios de obter a aprovação do acordo.Discursos e gafesTemas ligados a religião, patriotismo e extremismo também vieram à tona em mais de uma ocasião. Foi na Pensilvânia que Barack Obama realizou um elogiado discurso sobre as relações raciais nos Estados Unidos. Uma versão impressa contendo o pronunciamento na íntegra vem sendo distribuída por ativistas de Obama em comícios e nos QGs da campanha no Estado.O discurso foi uma resposta a declarações feitas pelo ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright, cujos comentários foram considerados por muitos como um incitamento ao ódio racial.Enquanto a campanha seguia seu curso na Pensilvânia, Obama se viu em maus lençóis, devido a comentários que fez em um evento de arrecadação em San Francisco. O candidato afirmou que moradores do interior do Estado, frustrados com as mazelas econômicas que vivem, acabam se tornando pessoas amargas, que se voltam para as armas e a religião. Uma gafe da senadora Hillary Clinton que chamuscou a sua imagem também se deu durante a campanha da Pensilvânia.A senadora passou pelo constrangimento de ter de dizer que se ''expressou mal'', ao dizer que, quando primeira-dama, em 1996, aterrisou na Bósnia debaixo de fogo cerrado de atiradores e que teve de cancelar a recepção que lhe havia sido reservada e correr para não ser atingida. Imagens de arquivo da época mostraram cenas muito mais róseas do que o quadro sombrio pintado pela senadora. Ela é vista saindo sorridente de seu avião, ao lado da filha, Chelsea. E, em seguida, conversando tranqüilamente com militares americanos.AcusaçõesNa reta final, Hillary e Obama trocaram pesadas farpas. O senador acusou a rival de se valer de uma tática de ''terra arrasada''. Enquanto a senadora disse que Obama procurava jogar tudo o que podia contra ela, ''para ver o que colava''.Os dois candidatos divulgaram comerciais no qual atacavam o programa de saúde do oponente. Um recente anúncio de Hillary procurou reforçar a tese de que ela é mais experiente que o rival, ao frisar que ela seria a candidata mais apropriada para combater as dificuldades econômicas do país, os dois conflitos militares enfrentados pelos Estados Unidos e a ameaça de Osama Bin Laden. A referência ao militante extremista que comanda a rede Al Qaeda foi considerada por ativistas de Obama como uma tentativa de pôr medo em eleitores.Agenda corridaAs extensas dimensões do Estado obrigaram os candidatos a cumprir uma extensa agenda. Nesta segunda, Hillary Clinton participou de eventos em quatro cidades da Pensilvânia, tendo começado o dia na cidade natal de seu pai, Scranton, e marcado o encerramento de sua campanha na Filadélfia. Obama também contou com uma agenda lotada, comparecendo a eventos em três cidades do Estado, o último deles um comício em Pittsburgh. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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