Primeiro homem a pisar na Lua

Astronauta que comandou a missão Apolo 11 morre aos 82 anos após complicações de uma cirurgia cardíaca; reservado, rejeitava fama de herói

CINCINNATI, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h00

O ex-astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, morreu aos 82 anos em decorrência de complicações de uma cirurgia cardiovascular. Ele estava internado desde o dia 7 num hospital de Columbus (Ohio). O anúncio foi feito ontem, em Cincinnati, num comunicado da família. O presidente Barack Obama lamentou a "morte de um herói norte- americano".

Tímido, discreto e com uma carreira brilhante como piloto, astronauta e professor de engenharia aeronáutica, Armstrong ficou famoso ao participar, ao lado dos astronautas Edwin Aldrin e Michael Collins, da missão Apolo 11 - que pousou na superfície da Lua em 20 de julho de 1969, num dos momentos mais grandiosos do século 20.

Com transmissão ao vivo pela TV e pelo rádio para uma plateia de 500 milhões de pessoas em todo o planeta- o equivalente a 20% da população mundial na época, a maior audiência até hoje para um único evento -, Armstrong, então com 38 anos, desceu a escada do módulo e, enquanto caminhava lentamente sobre a superfície lunar, soltou a frase célebre: "Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade", disse, com a voz distorcida pelos equipamentos de comunicação da época.

A caminhada lunar foi o grande trunfo norte-americano na corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Os soviéticos haviam saído na frente, colocando o satélite Sputnik em órbita em 1957, e os americanos buscavam um feito maior. Em 1961, o então presidente americano, John F. Kennedy, lançou o desafio: "Acredito que esta nação deve se comprometer em, antes que a década acabe, colocar um homem na Lua e trazê-lo em segurança de volta à Terra". Portanto, o programa Apolo foi concebido no espírito de uma disputa de prestígio e de tecnologia, que abriria caminho para grandes invenções, como o marca-passo, o velcro, a ultrassonografia, a ressonância magnética, materiais sintéticos, o forno de micro-ondas, entre outros.

Fanático por aviões, Armstrong tirou brevê aos 15 anos - antes mesmo de obter a carteira de motorista. Começou a estudar engenharia aos 17 e, como tinha uma bolsa de estudos da Marinha, interrompeu o curso para servir à Força Naval durante três anos. Participou de 78 missões de combate na Guerra da Coreia (1950-1953), formou-se e passou a trabalhar como piloto de testes de aeronaves experimentais - acumulou 2.400 horas de voo em mais de 200 modelos diferentes de aviões, entre eles os famosos X-1 e X-15. Com o X-15, alcançou a velocidade máxima de 6.615 km/h, ou 5,74 vezes a velocidade do som.

Selecionado em 1958 num programa espacial da Força Aérea, passou a integrar o corpo de astronautas da Nasa (a agência espacial americana) em 1962. Foi ao espaço pela primeira vez em 1966 e, no seguinte, entrou no programa Apolo.

Ao retornar da Lua, Armstrong anunciou que não pretendia voltar ao espaço. Foi nomeado para um novo programa de pesquisa avançada, mas acabou largando a Nasa e o programa em 1971 para atuar como professor de engenharia espacial da Universidade de Cincinnati.

Apesar de ser saudado como herói, Armstrong sempre rejeitou o título - reservado, parecia frustrado de carregar tal fama. "Sua vida era pilotar, apenas isso",disse James Hansen, seu biógrafo. Avesso a entrevistas, Armstrong reapareceu em 2010 para criticar a decisão de Obama de cortar verbas para o programa espacial.

Casado pela segunda vez, Armstrong deixa dois filhos do primeiro casamento e netos. / AP, REUTERS E NYT

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