Primeiro-ministro Tusk proclama vitória em eleição na Polônia

O partido governante de centro-direita do primeiro-ministro Donald Tusk está a caminho de ganhar a eleição parlamentar de domingo na Polônia, segundo resultados de uma pesquisa de boca de urna, abrindo caminho para mais quatro anos de reformas econômicas cautelosas.

GABRIELA BACZYNSKA E PAWEL SOBCZAK, REUTERS

09 de outubro de 2011 | 18h03

A pesquisa, publicada depois do final da votação, mostrou que o partido de Tsuk, o Plataforma Cívica, ganhou com 39,6 por cento dos votos, um pouco abaixo de uma maioria absoluta, mas confortavelmente à frente do partido nacional-conservador Lei e Justiça, de Jarolsaw Kaczynski, com 30,1 por cento dos votos.

A diferença da vitória, se confirmada, daria a Tusk apoio suficiente para renovar a sua aliança com o Partido dos Camponeses, seu parceiro de coalizão durante os últimos quatro anos.

"Quero agradecer a todos que votaram em nós e aos que não votaram, porque nós estaremos juntos levando responsabilidade à Polônia por mais quatro anos", disse Tusk a partidários em festa na sede do partido.

Espera-se que os mercados financeiros fiquem satisfeitos com os resultados, que apontam para mais quatro anos de relativa estabilidade econômica e política no maior país do Leste Europeu membro da União Europeia, em um momento de crise na zona do euro.

A Aliança de Esquerda Democrática, pós-comunista, ganhou 7,7 por cento dos votos, o Partido dos Camponeses, ficou com 8,2 por cento e um novo grupo liberal, chamado Movimento Palikot, com 10,1 por cento, de acordo com a pesquisa.

O resultado é uma vitória pessoal para Tusk, de 54 anos, um liberal conservador, pragmático, cujo partido seria o primeiro a ganhar a reeleição desde o fim do regime comunista em 1989, em um país de 38 milhões de habitantes.

Tusk precisa agora enfrentar o maior déficit orçamentário da Polônia, que deve chegar esse ano a 5,6 por cento do PIB, ou enfrentar o risco de ver a Polônia ser rebaixada pelas agencias de classificação de risco.

Ele deve pedir ao Partido Camponês para refazer a coalizão que supervisionou os quatro anos de forte crescimento econômico e dirigiu a Polônia, tranquilamente, durante a crise global de 2008-2009.

Ele também é a favor de uma maior integração com o resto da UE.

O pedido de Kaczynski para uma parada nas privatizações, por maiores impostos para os ricos e por uma postura mais combativa nas negociações com os parceiros da Polônia na UE havia preocupado os investidores.

Um governo liderado por Kaczynski, de 62 anos, poderia provavelmente causar tensão nas relações da Polônia com seus dois maiores vizinhos, Rússia e Alemanha, como aconteceu quando ele esteve no poder de 2005 a 2007.

Kaczynski desconfia tanto de Moscou quanto de Berlim -- a Polônia foi dilacerada durante o pacto Nazista-Soviético antes da Segunda Guerra Mundial -- e despertou suspeitas durante a campanha eleitoral, ao repetir a sua visão de que Berlim estaria tentando subjugar a Polônia.

Tusk tem boas ligações pessoas com a chanceler alemã, Ângela Merkel e tem mantido uma aproximação cautelosa com Moscou, apesar das tensões sobre o acidente de avião que matou o então presidente Lech Kaczyniski, irmão gêmeo de Jaroslaw Kaczynski, no ano passado.

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