Primeiro mundo desembarca em SP

Novo perfil da imigração inclui europeus e executivos americanos

Cremilda Aguiar e Rodrigo Burgarelli, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

Europeus em busca de aprimoramento profissional, executivos americanos para ocupar altos cargos em multinacionais, investidores internacionais de olho no crescimento econômico brasileiro. A São Paulo do século 21 vai atrair estrangeiros que não estão fugindo da pobreza, mas sim querendo construir uma vida confortável e promissora na maior metrópole do País. Esse é o novo retrato da imigração na capital paulista.

Segundo Allan Blau, integrante do conselho da American Society of São Paulo, o número de pessoas que deixarão países desenvolvidos com destino à cidade deve aumentar nos próximos anos, seguindo o avanço econômico do Brasil. "Para transferir tecnologia, empresas americanas terão de trazer especialistas de lá, por exemplo. Haverá mais investimentos e mais americanos aqui. Não tenho dúvida de que é o lugar para se estar na próxima década."

Foi pensando dessa maneira que os estudantes franceses Adrien Nardin e Aymeric Desbois, ambos de 22 anos, resolveram vir para São Paulo. Os dois cursavam Engenharia Civil em Nantes, mas não hesitaram em trocar seu país pelo Brasil em julho deste ano, para concluir o curso na USP. "A faculdade de Engenharia é reconhecida no mundo todo", diz Aymeric.

Seu colega, Adrien, afirma que pretende continuar aqui depois de se formar, pois acredita que essa experiência será valorizada profissionalmente na França: "Quero começar aqui fazendo um trabalho que tenha ligação entre os dois países, numa empresa francesa."

Essa tendência, contudo, não descarta a vinda de pessoas que, por falta de perspectivas no país de origem, escolhem São Paulo como destino. "O censo 2010 vai apontar também crescimento das migrações latino-americanas. É uma mão de obra menos qualificada, que atua em áreas específicas, como costura e outros nichos", explica Rosana Baeninger, professora da Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo).

A boliviana Nilda Catoretty, 34 anos, é um desses casos. Ela e os sete filhos enfrentaram três dias de viagem de ônibus de La Paz até São Paulo dois anos atrás. Nilda trabalha com costura e diz não sentir falta de seu país. "A vida aqui não é fácil, mas ainda é melhor do que lá."

Essa diversidade, segundo Rosana, coloca São Paulo no mesmo patamar de capitais como Nova York e Tóquio, conhecidas como metrópoles internacionais. "A tendência é mesclar situações de fluxos migratórios, o que tem uma contribuição importante para essa nova face do Brasil."

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