Primeiro protesto contra milícias no Rio reúne 100

A morte de dois jovens de um grupo católico resultou no primeiro protesto popular contra a atuação das milícias, grupos paramilitares, na zona oeste do Rio. Hoje, cerca de cem pessoas se reuniram com faixas em frente ao Centro Comercial de Guadalupe para pedir a apuração da tortura e morte dos estudantes Tales Alexandre Francisco, de 17 anos e Erik de Oliveira Ladeira, de 19, cujos suspeitos são os milicianos que atuam na região.

PEDRO DANTAS, Agencia Estado

20 de junho de 2009 | 12h31

Os manifestantes interditaram parcialmente por alguns minutos a Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso à cidade. "Não queremos incomodar ninguém, mas apenas que as autoridades notem nosso drama", disse Edgar Antônio Francisco Filho, pai de Tales. Integrantes do Grupo Jovem da Igreja de Santo Antônio em Guadalupe, os jovens se reuniam na noite do dia 13 para jogar videogame. Tales foi visto pela última vez ao se despedir de um amigo às 0h35, mas nunca chegou em casa.

"Nossa família é católica. Meu filho era respeitado, querido e foi encontrado com marcas de tortura e tiros na nuca. Ninguém foi preso até agora", afirmou o pai do rapaz. Segundo ele, Erik era padrinho de Crisma de Tales. O grupo preparava uma festa na paróquia que acabou cancelada. "Não temos nenhuma pista do que motivou isto. Meu filho estava a poucos metros de casa. Não tinha envolvimento com o crime. Ele circulava apenas entre nossa casa e a igreja. Queremos que as pessoas que viram alguma coisa liguem para o Disque Denúncia", pediu o motorista Washington Luís Ladeira, de 45 anos, pai de Erik.

O caso da tortura e morte dos jovens foi denunciado a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No ano passado, a CPI das Milícias da Alerj denunciou a atuação das milícias como grupos de extermínio em regiões pobres onde também cometem extorsão de moradores e comerciantes. A milícia da Favela de Rio das Pedras é suspeita de envolvimento no desaparecimento da engenheira Patrícia Franco, desaparecida desde 14 de junho do ano passado.

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