Primo da noiva é suspeito de ferir manifestante

Fotografado arremessando uma nota de R$ 20,00 em forma de "avião" da sacada do Hotel Copacabana Palace na direção de manifestantes que se reuniam na calçada durante a festa de casamento da prima, na noite de sábado, 13, Daniel Barata, de 18 anos, é apontado pela polícia como principal suspeito de ter atirado o cinzeiro de vidro que feriu gravemente um dos manifestantes na cabeça. Sobrinho do maior empresário do setor de transportes no Rio, Jacob Barata, conhecido como "Rei dos ônibus", Daniel negou ter atirado o cinzeiro.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

15 de julho de 2013 | 20h33

"Joguei uma nota de 20 reais da sacada do hotel com o objetivo sim de repudiar os manifestantes na entrada e admito que errei assim como acredito que erraram os que atiraram pedras, ovos etc nos convidados da festa", escreveu Daniel em seu perfil no Facebook. Antes de pedir desculpas pelo que classificou de "deboche desnecessário" e "brincadeiras infantis", ele havia postado um comentário em uma foto sua arremessando a nota com uma provocação aos manifestantes, dizendo que achava "incoerente as pessoas gastarem seu dinheiro para irem a um protesto de ônibus para protestarem contra dono de ônibus".

"Não seria muito mais fácil não sair, pra não pegar um ônibus, e não dar dinheiro pra quem vocês tanto hostilizam?", escreveu Daniel. Depois, ele negou a acusação feita pela polícia. "Não tenho nada a ver com quem tacou cinzeiro em cima de manifestante (aliás já tinha ido embora nessa hora) e também não fazia ideia de soco na cara de advogado nenhum. Reconheço meus erros e sei que eles se limitaram a brincadeiras infantis praticadas fora de hora."

O delegado José William de Medeiros, titular da 12.ª DP, afirmou que "todos os indícios apontam para que Daniel tenha jogado o cinzeiro". Ele será intimado a depor. O estudante Ruan Nascimento, de 24 anos, morador do Complexo do Alemão, na zona norte, foi atingido pelo cinzeiro e precisou levar seis pontos na testa. Nesta segunda-feira, ele prestou depoimento e disse que vai processar o responsável pela agressão. A polícia ainda aguarda as imagens das câmeras de segurança do hotel. A advogada Heloísa Samy, que acompanhou Nascimento, acusou Daniel de ter agredido outros dois manifestantes na porta do hotel.

A neta de Jacob Barata, Beatriz, casou-se com Francisco Feitosa Filho, cujo pai é ex-deputado e dono de empresa de ônibus no Ceará. O protesto havia começado na igreja onde foi celebrado o casamento, no centro. A noiva e o avô, dono do Grupo Guanabara, que possui uma frota de 4.200 ônibus, chegaram em duas Mercedes. PMs formaram um cordão de isolamento para Beatriz entrar. Era possível ouvir de dentro da igreja gritos como "Ha ha ha, o noivo vai broxar". Depois, os manifestantes seguiram para o Copacabana Palace. Além do cinzeiro e de notas de R$ 20,00, convidados jogaram camarões e doces "bem-casados" contra o grupo. PMs do Batalhão de Choque acabaram com o protesto lançando bombas de gás e de efeito moral contra os manifestantes.

Mais conteúdo sobre:
protestosRiocasamentoBarata

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.