Principais presidenciáveis votam sob indefinição do rival de Dilma no 2º turno

Os três principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), votaram na manhã deste domingo em uma eleição marcada pela indefinição do adversário da atual presidente em um eventual segundo turno, depois que as últimas pesquisas mostraram o tucano e a ex-senadora em empate técnico em segundo lugar, com Dilma em primeiro.

REUTERS

05 de outubro de 2014 | 12h56

Dilma foi a primeira dos três a votar, em Porto Alegre, mostrando bom humor e chegando a fazer o sinal de vitória. A presidente e candidata à reeleição reconheceu que trabalha com a definição da disputa presidencial em dois turnos.

"A hipótese que eu tenho trabalhado desde o início da eleição é de dois turnos. O resto, só as urnas vão definir o que acontecerá", disse Dilma, que votou vestida de vermelho e acompanhada do candidato à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT).

Questionada sobre qual candidato prefere enfrentar na segunda rodada de votação, Dilma afirmou que "quem tem que preferir é o povo". Depois de votar na capital gaúcha, Dilma seguiu para Brasília, onde vai acompanhar o desenrolar da eleição.

Aécio votou em Belo Horizonte, também sorridente e usando camisa azul. O ex-governador de Minas Gerais demonstrou confiança e posou para fotos fazendo sinais de positivo e de vitória, e declarou estar "pronto" para governar o país.

"Estou com muita fé e muito respeito, mas estou pronto, se chegar ao segundo turno, para governar o Brasil", disse Aécio em sua conta no Twitter após votar ao lado da mulher, Leticia Weber.

Marina votou em Rio Branco, no Acre, ao lado de familiares. Vestida de amarelo, a candidata estava bastante sorridente, fazendo o sinal de vitória mesmo antes de votar. Ela chegou à sala por volta de 10h35 no horário de Brasília, 8h35 no Acre, portanto, logo após abertura das urnas no Estado.

Para se identificar, Marina usou o cadastramento biométrico. A primeira tentativa não funcionou, mas na segunda, com o dedo indicador, não teve problemas.

"Estou confiante de que estaremos no segundo turno, se Deus quiser, e o povo brasileiro", disse ela em entrevista coletiva.

REVIRAVOLTAS

Quase 143 milhões de brasileiros estão habilitados a votar neste domingo para escolher o próximo presidente, na eleição mais acirrada dos últimos tempos, marcada por duas grandes reviravoltas.

A primeira ocorreu em meados de agosto com a trágica morte de Eduardo Campos, então candidato do PSB à Presidência, e a entrada como um furacão de Marina em seu lugar. Em poucos dias, a ambientalista encostou em Dilma nas intenções de voto e jogou Aécio para um distante terceiro lugar.

A segunda grande virada desta campanha, que precisa ser confirmada pelas urnas, é a volta de Aécio ao segundo lugar, ultrapassando Marina na reta final na briga por uma vaga na segunda rodada de votação contra Dilma.

Pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas na véspera da eleição mostraram que, embora a situação ainda seja de empate técnico entre Dilma e Aécio, houve uma inversão na disputa pelo segundo lugar no primeiro turno, e o candidato tucano passou a ter vantagem numérica sobre a ex-ministra.

A reeleição de Dilma representaria um quarto mandato consecutivo do PT na Presidência, após dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que torna a votação uma espécie de referendo sobre a continuidade ou não do partido no poder.

"Eu pensei bem sobre os candidatos e queria alguém que pudesse resolver o problema da violência. Votei na Marina. Acho que a Dilma já deu. As coisas que prometeu, não fez. Tentei Bolsa Família e Bolsa Maternidade e não consegui", disse a baiana Rosilene Silva de Jesus, de 29 anos, moradora da favela Paraisópolis, em São Paulo.

Eleitores que disseram votar em Dilma apontaram benefícios do governo nos últimos anos.

"Vou votar na Dilma. Acho que o voto não é apenas individual, é coletivo, e muitas pessoas tiveram benefícios no governo dela", disse a estudante carioca Agatha Mandarino, de 17 anos, que vai votar pela primeira vez.

"Me incomoda saber que tem muita enganação no país, mas de certa forma o Brasil funcionou nos últimos 10 anos. Espero que no próximo governo o Brasil ingresse de vez nessa história de que somos a bola da vez", acrescentou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o primeiro turno das eleições teve um início tranquilo e sem maiores problemas, embora tenham sido registradas ocorrências isoladas.

De acordo com o tribunal, quatro urnas foram danificadas em São Luís, capital do Maranhão, na madrugada deste domingo, e uma urna foi incendiada em uma seção eleitoral da cidade.

No Amazonas, houve problemas para três urnas chegassem a locais remotos. Uma aeronave não conseguiu levantar voo no sábado por questões climáticas, atrasando a entrega nessas localidades.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Reportagem adicional de Camila Moreira, Gustavo Bonato e Anna Flávia Rochas, em São Paulo; Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro; e Nestor Rabello, em Brasília)

Mais conteúdo sobre:
ELEICOES2014VOTACAOCONSOLIDA1*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.