Prisão de Strauss-Kahn atrai populares e turistas em NY

Dominique Strauss-Kahn, ex-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), permanece neste sábado em prisão domiciliar num apartamento no distrito financeiro de Nova York que se tornou atração turística na cidade.

MICHELLE NICHOLS E ELLEN WULFHORST, REUTERS

21 de maio de 2011 | 18h03

Strauss-Kahn deixou a prisão na sexta-feira e deve ficar no apartamento de Manhattan por alguns dias até que uma casa permanente seja encontrada. Ele é acusado de agressão sexual contra uma camareira de um hotel de Nova York.

Ele só pode deixar o apartamento para ir ao tribunal, reunir-se com advogados, ter consultas médicas e para uma saída para fins religiosos por semana.

A casa temporária foi viabilizada por uma empresa privada de segurança, que é responsável pela vigilância de Strauss-Kahn. O custo estimado do serviço é 200 mil dólares por mês, e será pago pelo próprio ex-chefe do FMI, que há uma semana era uma das pessoas mais poderosas do mundo financeiro.

Carros com links de satélite, repórteres e fotógrafos dão plantão nos arredores do apartamento. Populares fazem perguntas aos policiais no local e tiram fotos do movimento da imprensa. Num ônibus de turismo, o guia apontou para o edifício e informou que era ali que estava Strauss-Kahn.

Vizinhos, no entanto, reclamam. "Não gosto disso. Não gosto de toda essa atenção e da aglomeração na rua", afirmou Ian Horowitz, de 29 anos.

Strauss-Kahn, antes cotado como forte candidato à presidência da França, renunciou ao cargo no FMI na quarta-feira. A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, é a favorita para substituí-lo.

Strauss-Kahn foi detido pela polícia de Nova York há uma semana, horas depois do suposto ataque no hotel Sofitel, Manhattan. Em 6 de junho, ele irá ao tribunal para, formalmente, responder às acusações. Um julgamento pode demorar seis meses ou mais.

Ele nega a acusação de agressão sexual feita pela camareira, de 32 anos. Se condenado, ele pode ficar preso por 25 anos.

GESTÃO DE CRISE

Os advogados de Strauss-Kahn teriam procurado informalmente assessoria em relações públicas de uma consultoria em Washington, gerenciada por ex-diplomatas e funcionários da CIA. O objetivo seria ter a ajuda da firma em gestão de crise.

Na França, o jornal Le Monde publicou que os advogados contrataram a Guidepost Solutions, uma empresa de investigação global onde trabalhariam ex-funcionário do Judiciário de Nova York, um ex-promotor federal e um ex-chefe de segurança da IBM.

Na França, uma organização feminista divulgou uma petição onde se dizia impressionada pelos comentários sexistas de figuras públicas do país, desde a prisão de Strauss-Kahn.

SUCESSÃO NO FMI

Com posto de chefe repentinamente vago, o FMI disse que o processo de escolha de um novo líder deve terminar no fim de junho. Com a crise na zona do euro, a União Européia e os Estados Unidos querem uma substituição rápida.

Presidente do principal painel de conselheiros do FMI, Tharman Shanmugaratnam, que também é ministro das Finanças de Cingapura, afirmou ser imperativo que o processo seja aberto e transparente.

"Os desafios que enfrentamos são grandes, e uma conclusão mais cedo do processo de seleção será vantajoso", afirmou ele num comunicado neste sábado.

Apesar do favoritismo da ministra Lagarde, países em desenvolvimento pressionam a Europa e os Estados Unidos para evitar um acordo de bastidores sobre a indicação. O FMI tem sido chefiado por um europeu desde que foi criado. Lagarde seria a primeira mulher a liderá-lo.

O ex-ministro da Economia turco Kemal Dervis era visto como outro candidato forte, mas já se disse fora disputa, colocando pressão para que os emergentes encontrem um candidato próprio consensual.

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