''Processo eleitoral de Honduras é legítimo''

Para representante dos EUA em Honduras, ''não se pode negar ao povo o direito inalienável de escolher seus líderes''

Entrevista com

Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2009 | 00h00

O embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, argumentou ao Estado que o processo eleitoral hondurenho é "legítimo" e minimizou o fato de a votação ocorrer sob um regime golpista. Mas, se os EUA reconhecerão ou não o resultado, depende de "vários fatores do dia da eleição".

Após o golpe, o presidente Barack Obama disse que a única solução era a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya. Os EUA vão reconhecer o resultado da votação do dia 29? O que mudou?

O golpe de junho foi uma ruptura da ordem constitucional em Honduras. Os EUA condenaram a ação e solicitaram a restauração da normalidade democrática. O acordo San José-Tegucigalpa foi assinado tanto por (presidente de facto, Roberto) Micheletti, quanto por Zelaya e é a base para avançarmos. Ele força os dois lados ao compromisso e a um governo de unidade. Ninguém pode negar ao povo hondurenho o direito legítimo e inalienável de eleger seu presidente, deputados e prefeitos. O processo eleitoral é legítimo e foi iniciado bem antes do golpe. Se os EUA reconhecerão definitivamente a votação como livre, justa e transparente, depende de vários fatores do dia da eleição.

A secretária do Trabalho dos EUA, Hilda Solís, que integra a comissão de verificação do acordo, disse que "o que acontece em Honduras tem impacto em toda região". Reconhecer eleições conduzidas sob um regime de facto não pode enviar uma perigosa mensagem à América Latina?

Se o texto e espírito do acordo forem implementados, o regime de facto não controlará as eleições. Espero ver emergir da crise em Honduras um exemplo positivo. Rupturas de regimes democráticos são inaceitáveis no Hemisfério Ocidental do século 21.

Países da região, incluindo o Brasil, dizem que não reconhecerão a eleição sem a volta de Zelaya. O sr. vê uma nova cisão entre a região e os EUA, caso Washington aceite o resultado das urnas?

Não vejo uma cisão duradoura. Com poucas exceções, nosso continente continua a apoiar fortemente a democracia. Esses são e continuarão a ser os valores que nos unem.

Já faz dois meses que Zelaya voltou a Honduras e buscou abrigo na embaixada do Brasil. O embaixador dos EUA na OEA, Lewis Amselem, qualificou o retorno de "irresponsável". O sr. concorda?

Zelaya tomou sua decisão e é responsável por ela.

Zelaya é um aliado do venezuelano Hugo Chávez e Caracas tem laços estreitos com países como Nicarágua e El Salvador. Como o sr. vê a influência venezuelana na América Central? Pode ela comprometer interesses americanos?

Nos esforçamos para estreitar laços com todos os países da região, promover a prosperidade e assistir ao florescer da democracia. Não acredito que, no século 21, sistemas autoritários podem responder às necessidades do povo. Caudilhos representam o passado.

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