Processo sucessório na ANS preocupa CFM

Receio é de que aumente o peso de pessoas ligadas aos planos na Agência Nacional de Saúde Suplementar

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nota manifestando preocupação com o processo sucessório na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O receio é de que, com novas indicações, aumente ainda o peso de pessoas ligadas às empresas de saúde. Dos cinco cargos de diretoria, dois estão vagos: o de diretor de gestão e de desenvolvimento setorial.

Dos três diretores atuais, o presidente Maurício Ceschin e Leandro Reis Tavares já trabalharam no setor de saúde suplementar. Algo que, para alguns analistas, pode colocar em risco a imparcialidade das decisões.

"Novos diretores tem de estar comprometidos com a saúde, com prestação de serviço de qualidade e não com esse ou aquele grupo", afirmou o vice-presidente do CFM, Aluísio Tibiriçá, ao comentar a nota.

Endereçada à presidente eleita Dilma Rousseff, ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão e a parlamentares, a carta diz ser indispensável que sejam indicados nomes de pessoas com reconhecida idoneidade.

A manifestação ocorre em meio a um conflito entre médicos e operadoras. Ontem, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular iniciou uma campanha para melhorar a remuneração. A categoria deu prazo de 60 dias, contados a partir do dia 1.º, para que o reajuste seja decidido. Caso contrário, ameaça entrar em greve.

Iniciativas semelhantes foram tomadas por cardiologistas, pediatras, anestesistas e ginecologistas.

"Uma das atribuições da ANS é acompanhar as relações entre operadoras com prestadores e usuários", observa Tibiriçá. "Algo que não vem acontecendo a contento." Ele procura afastar uma associação do movimento com o corporativismo. " Sem médicos, sem pagamento adequado, o tempo de espera para atendimento aumenta."

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