''Processos do painel do clima devem ser transparentes''

ENTREVISTA

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

Carlos Henrique de Brito Cruz

Físico, escolhido para o comitê de revisão do IAC

O físico brasileiro Carlos Henrique de Brito Cruz foi um dos 12 cientistas escolhidos para compor um comitê internacional que vai revisar os procedimentos adotados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) para formulação de relatórios sobre o aquecimento global. A lista foi divulgada ontem pelo InterAcademy Council (IAC), um grupo independente de 15 academias de ciência que aconselha as Nações Unidas em temas estratégicos.

O comitê deverá apresentar um relatório até 30 de agosto. A revisão foi encomendada pela ONU em março, após a descoberta de erros no último relatório do IPCC. O coordenador será o economista Harold Shapiro, ex-reitor da Universidade Princeton.

Brito Cruz é um dos cientistas mais respeitados e influentes do País. Entre 2002 e 2005 foi reitor da Universidade Estadual de Campinas, onde leciona há 28 anos. Desde então, é diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Seu nome foi indicado pela Academia Brasileira de Ciências.

Ao Estado, Brito Cruz disse que será uma "oportunidade importante de contribuir para o aprimoramento do trabalho do IPCC", garantindo que seus relatórios sejam baseados em "ciência sólida".

Como o senhor analisa o escândalo do "climagate" e a repercussão dele na ciência e na opinião publica?

Tenho a impressão de que foram esses acontecimentos que estimularam a ONU a solicitar a revisão. É muito importante que os procedimentos adotados pelo IPCC sejam sólidos, transparentes e respeitadores das divergências de opiniões. Num tema cercado de debate e consequências importantes para toda a humanidade, é muito importante que se faça todo o esforço para isso.

A posição do IPCC é que os erros no relatório não comprometem a conclusão sobre a influência do homem na mudança do clima. O senhor concorda?

Vou aprender mais detalhes sobre o funcionamento disso tudo agora, mas me parece que a base científica para o efeito humano na mudança do clima é razoavelmente sólida.

É normal que haja erros num relatório desse porte, envolvendo centenas de estudos e milhares de cientistas?

É de se esperar que haja pequenos erros, mas também que, uma vez detectados esses erros, seja feito um ajuste dos procedimentos para que eles não aconteçam mais.

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