André Dusek|Estadão
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Procurador-geral deve investigar Dilma

Para assessor próximo a Janot, pesa contra a presidente a suspeita de agir para tentar obstruir os avanços da Operação Lava Jato

BEATRIZ BULLA,ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

17 Março 2016 | 00h10

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve pedir a abertura de inquérito contra a presidente Dilma Rousseff. A possibilidade já existia depois da delação premiada do senador Delcídio Amaral e foi reforçada essa com a divulgação dos telefonemas trocados por ela com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo fontes que acompanham a investigação.

Para um assessor próximo a Janot, nos dois casos pesa contra Dilma a suspeita de agir para tentar obstruir os avanços das investigações da Operação Lava Jato. 

Por enquanto, Janot está acompanhando esses desdobramentos de longe. Desde o início da semana ele está em Paris para um evento sobre cooperação internacional para o combate à corrupção na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Há perspectiva de que ele se pronuncie nesta quinta-feira sobre os fatos ocorridos no Brasil. Procuradores do grupo de trabalho de Janot aguardam a chegada do procurador-geral ao País, na próxima semana, para receberem orientações sobre a possível investigação.

Nesta quarta, o juiz Sérgio Moro incluiu no inquérito que tramita em Curitiba o áudio de uma conversa na qual Dilma diz que encaminhará a Lula o "termo de posse" de ministro da Casa Civil para que ele usasse "em caso de necessidade".

Para os investigadores da Lava Jato, o diálogo mostra uma tentativa da presidente de evitar uma eventual prisão de Lula. Com o termo de posse em mãos, o ex-presidente passaria a ter foro privilegiado e não poderia ser julgado pela Justiça comum, apenas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na delação de Delcídio, ele acusa Dilma de tentar interferir no Judiciário para mudar os rumos da investigação em pelo menos três ocasiões. Uma delas seria a nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça, que teria se comprometido a liberar empreiteiros que haviam sido presos na Lava Jato.

Em declarações públicas, Janot tem reiterado que todo indício de ilegalidade será investigado, não importando a autoridade atingida.

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