Procurador pede à PF dados sobre vazamento no Enem

Oscar Costa Filho, do MPF-CE, pretende entrar com novas provas para reforçar pedido de anulação do exame

Lauriberto Braga, Agência Estado

24 de novembro de 2010 | 17h44

O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho, autor da ação que pede a anulação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2010, pediu nesta quarta-feira, 24, o relatório da Polícia Federal (PF) sobre o vazamento do tema da redação. Com base no documento, ele pretende ingressar com novas provas para reforçar a necessidade de anulação junto à Justiça Federal no Estado.

Após investigações em Juazeiro (BA), a PF concluiu que uma professora de Remanso, que aplicou a prova em um colégio da cidade baiana, teve acesso ao texto que baseou a prova de redação. Ela, então, teria passado a informação para o marido. Este, por sua vez, comunicou, conforme a corporação, o tema ao filho em Petrolina (PE), que também prestava o exame.

Segundo o procurador, a prova para os prejudicados - marcada para 15 de dezembro - será anulada "porque ela tem que ser feita para todos e não somente para poucos como quer o MEC".

O ministério marcou as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza para somente aqueles alunos que foram prejudicados por erros de impressão nas provas realizadas no dia 6 de novembro passado. Já foram identificados 2.817 que se enquadram nessa situação.

Sobre a comprovação da PF de que houve vazamento do tema da redação, Oscar Filho assinala "que vem mais uma vez provar que o Enem foi fraudado e deve ser anulado num todo". Conforme ele os problemas não são "pontuais", como defende o ministro da Educação, Fernando Haddad.

"Os problemas são sistêmicos. Além do vazamento da redação pela professora fiscal e pela jornalista do Recife, teve os problemas do cartão-resposta e da prova amarela. Não foi coisa localizada. Isso afetou todo sistema", disse. Oscar Filho destaca que "não adianta o MEC fazer o Enem à revelia do direito".

Procurada pela reportagem, a juíza Karla Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, não quis se pronunciar a respeito do vazamento da redação. A secretaria da vara informou apenas que a ação que pede a anulação do Enem 2010 continua em curso e que está no período de argumentação das partes.

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