Procuradora diz à CPI do Cachoeira que é preciso 'sufocar' braço financeiro

A procuradora Léa Batista de Oliveira, que participou das investigações sobre Carlinhos Cachoeira e seu grupo, afirmou nesta terça-feira à CPI que investiga o caso que é preciso "sufocar" o braço financeiro do esquema, que continua ativo mesmo com a prisão do apontado como chefe.

Reuters

21 de agosto de 2012 | 14h49

Cachoeira está preso desde fevereiro, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais, mas isso não impede, de acordo com a procuradora, que o grupo continue agindo. Léa citou, inclusive, ter recebido ameaças por emails originados em Anápolis, reduto da família e do grupo de Cachoeira.

"Enquanto não conseguirmos sufocar essa organização, em termos financeiros, ela vai continuar atuando, independentemente de o chefe estar preso ou não", disse a procuradora em depoimento à CPI que investiga as relações de Cachoeira com políticos e empresários, de acordo com a Agência Câmara.

Segundo Léa, a investigação ainda aguarda dados bancários pedidos a partir de quebras de sigilo para avançar na investigação sobre a atuação financeira do grupo e a suposta lavagem de dinheiro usando empresas fantasmas.

A procuradora explicou aos parlamentares que a operação da Polícia Federal que levou diversos integrantes da organização à prisão teve de ser adiantada no início deste ano, porque interceptações telefônicas indicaram que membros do grupo tinham detalhes do processo, incluindo o nome do juiz responsável.

Léa afirmou que a organização teria se infiltrado também nas polícias civil, militar, rodoviária e federal no Estado de Goiás.

"SILÊNCIO ORQUSTRADO"

Segundo a procuradora, a organização tem característica "mafiosa", explicitada pelo "silêncio orquestrado" das pessoas investigadas, que se mantiveram caladas em depoimentos à Justiça e à CPI.

"O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas, quando um membro de grupo, com seu silêncio, quer defender o grupo e ser leal ao chefe", disse a procuradora a parlamentares. "Esse silêncio orquestrado é típico", acrescentou.

A hierarquia, a divisão de trabalho dentro da organização, a exploração de mercados ilícitos e a obstrução da Justiça foram outros fatores citados por Léa para caracterizar o grupo como "mafioso".

Para o procurador Daniel Rezende Salgado, que também depôs à CPI nesta terça-feira, o adiantamento da operação interrompeu a investigação sobre o braço financeiro da organização.

"A antecipação da operação Monte Carlo (da Polícia Federal), em razão do vazamento de informações, fez com que deixássemos de investigar outras áreas. Tinha uma parte empresarial do grupo criminoso e não conseguimos investigar. Temos um material bruto que precisa ser submetido a análise", afirmou, segundo a Agência Câmara.

(Por Maria Carolina Marcello)

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