Produção industrial e uso da capacidade voltam a subir

A produção da indústria brasileira voltou a crescer em setembro, impulsionada, em boa medida, pelo desempenho do setor de máquinas e equipamentos, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados divulgados separadamente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostraram que o uso da capacidade instalada também voltou a aumentar em setembro, em mais um sinal de aquecimento do setor. A produção das fábricas instaladas no país teve aumento mensal de 1,7 por cento e um ganho de 9,8 por cento em relação a setembro de 2007. Analistas consultados pela Reuters previam alta de 1,5 por cento e 9,5 por cento, respectivamente. Em agosto, a produção industrial havia caído 1,2 por cento, de acordo com dados revisados pelo IBGE. A produção de bens de capital cresceu 3,7 por cento sobre agosto, enquanto a de bens de consumo avançou 1,7 por cento. "O aumento ocorrido de agosto para setembro foi generalizado, alcançando 20 dos 27 ramos (pesquisados)", informou o IBGE, referindo-se à comparação com agosto. De janeiro a setembro, a produção industrial teve crescimento de 6,5 por cento e nos últimos 12 meses, de 6,8 por cento. AINDA SEM EFEITO DA CRISE A crise financeira mundial ainda não está nos dados divulgados sobre a indústria brasileira, mas o IBGE espera que os primeiros impactos tenham sido observados em outubro. De acordo com a economista do IBGE Isabella Nunes, os dados de comércio e, principalmente, as vendas de automóveis já apontam os primeiros sinais de arrefecimento em razão da crise mundial. "As estatísticas de outubro já disponíveis mostram alguns resultados (piores) na venda de automóveis... o que, provavelmente, vai sugerir uma acomodação da produção para ajustar estoques a um cenário de menor demanda", disse à Reuters. A economista avaliou ainda que os juros altos podem afetar a produção e a demanda por bens duráveis nos próximos meses. Em setembro, a produção de bens duráveis cresceu 0,4 por cento ante agosto e 14,9 por cento frente a setembro de 2007. A indústria encerrou o terceiro tirmestre com avanço de 2,7 por cento ante os três meses anteriores, melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2004. O uso da capacidade instalada, indicador que pode sinalizar eventuais pressões inflacionárias, aumentou em setembro após um recuo no mês anterior, segundo a CNI. A expansão foi de 0,3 ponto percentual, para 83,3 por cento, segundo a série livre de influências sazonais. A CNI também mostrou um aumento de 2 por cento no faturamento das fábricas em setembro frente a agosto. No período, as horas trabalhadas aumentaram 1,2 por cento e o emprego, 0,7 por cento. A CNI creditou esse desempenho favorável ao maior número de dias úteis em setembro. "Tanto na comparação com o mês imediatamente anterior quanto frente ao mesmo mês do ano anterior, o efeito-calendário contribui de forma relevante para o crescimento da atividade da indústria em setembro", afirmou a entidade em nota. (Reportagem adicional de Isabel Versiani em Brasília)

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