Produção tenta ''despolitizar'' filme, que Lula vê com Dilma

Presidente leva ministra, além de estrelas petistas, para pré-estreia de longaAtores e diretores se esforçam para negar benefício eleitoral para presidente

Julia Duailibi e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Minutos antes da pré-estreia do filme sobre os primeiros 35 anos da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de produção de Lula, o Filho do Brasil fazia um esforço conjunto para "despolitizar" a sessão. O próprio Lula, no entanto, não teve a mesma preocupação. Levou a ministra Dilma Rousseff, sua escolhida para disputar a sucessão presidencial pelo PT, além de estrelas petistas, para ver o longa-metragem.

Antes da chegada da comitiva presidencial, atores e diretores que passavam pelo "tapete vermelho" dos antigos estúdios Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, se empenhavam em negar que a produção possa trazer benefícios políticos para o presidente e para Dilma. A oposição vem atacando o filme, alegando que a produção é "eleitoreira", pois será lançada no circuito comercial em janeiro de 2010, ano de eleição presidencial no País.

Também questiona o modelo de financiamento do longa, que custou R$ 16 milhões e tem sido financiado por empresas privadas que mantêm contratos com o governo federal. "Ele não é candidato a nada. Não tem nada a ver", afirmou o produtor Luiz Carlos Barreto, acrescentando que o filme era para ter sido lançado há um ano. "Isso é intriga da oposição."

O ator Rui Ricardo Dias, que interpreta Lula no filme, evitou falar sobre as críticas que a produção vem recebendo. Com uma assessora de imprensa ao lado, ele também afirmou que não gostaria de comentar nenhum assunto relacionado a política.

"A questão é quem pega carona no papel de quem. Lula não precisa do filme para nada", declarou o ator. "Mas vamos falar sobre o filme para não dar margem para politização."

A pré-estreia levou 2.100 pessoas para ver o longa em São Bernardo. A maior parte era formada por sindicalistas, mas estrelas do governo e do PT marcaram presença. Os ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além do deputado José Genoino (SP) e do ex-ministro José Dirceu, estavam na plateia.

PARQUE

Antes da sessão, Lula participou da inauguração do Parque dos Direitos da Criança, também em São Bernardo. O espaço recebeu o nome Eurídice Ferreira Mello, a Dona Lindu, em homenagem à sua mãe.

No evento, o presidente falou sobre a questão da criança e do adolescente no Brasil que, na avaliação dele, na maioria das vezes são vítimas de uma família desestruturada. "Foram mais de 25 anos que a economia esteve atrofiada, um período em que não se investiu na universidade, no ensino fundamental", comentou.

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