Produtor de café aguarda governo e comercialização segue lenta

Os produtores de café do Brasil, maior produtor global da commodity, seguem aguardando uma definição do governo sobre medidas para sustentar os preços do grão, e assim as negociações continuam lentas, segundo representantes do setor.

Reuters

27 de março de 2013 | 15h30

Para quinta-feira é aguardada uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre o preço mínimo do café e também a ampliação do prazo para o pagamento do financiamento de estocagem.

"O produtor está triste. Isso é geral... (A comercialização), de uma maneira geral, depende das propostas que estão sendo trabalhadas em Brasília. Se for prorrogado o financiamento do Funcafé, vai diminuir (o volume de vendas) porque vai se esperar um preço melhor para poder vender", disse à Reuters o presidente da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, Carlos Paulino da Costa.

Algumas medidas esperadas podem ter um efeito de sustentar os preços do café, que atingiram recentemente o menor patamar desde meados de 2010 na bolsa de Nova York, referência global para o arábica, a variedade mais produzida no Brasil.

"O produtor está de olho em Brasília, porque para Nova York já está cansado de olhar e ver que o negócio está despencando... Acho que chegamos no fundo do poço (em termos de preços internacionais)", declarou Costa, da cooperativa com sede em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, principal região produtora do Brasil.

Diante dessa situação de mercado, segundo o cafeicultor, o produtor aguarda um movimento de alta para voltar a participar mais do mercado.

"O produtor está esperando que suba para vender, e o comprador está esperando que caia mais para comprar. O mercado está parado", afirmou.

Em nota nesta semana, o Conselho Nacional do Café (CNC), que representa os produtores no país, afirmou que o primeiro ato do novo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, foi o encaminhamento de dois votos agrícolas para a reunião ordinária do CMN.

O primeiro deles concede alongamento dos vencimentos da linha de estocagem por 12 meses e carência de quatro meses para o início do pagamento, o que evitará um excesso de oferta de café na entrada da próxima colheita. A segunda medida, de acordo com o CNC, elevará o preço mínimo de garantia do arábica para 340 reais por saca, ante 261 reais atualmente, sendo esta uma medida essencial para a implantação futura de ferramentas de mercado como os leilões de opções e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), instrumentos que podem dar sustentação aos valores globais.

O CNC disse confiar que, com o novo ministro, deputado federal originário do Cerrado Mineiro, importante região produtora de grãos, o setor terá atendida suas demandas.

O Cerrado Mineiro produz, anualmente, cerca de 6 milhões de sacas de café.

"Tanto nós quanto o governo estamos interessados na recuperação dos preços, porque tem a balança comercial. O café exporta muito", acrescentou o presidente da Cooxupé.

As exportações de café verde do Brasil fecharam o ano passado em 24,92 milhões de toneladas, 17 por cento abaixo de 2011, segundo dados dos exportadores.

SAFRA

Segundo Costa, da Cooxupé, a nova safra do arábica, com colheita iniciando em meados deste ano, tem tudo para ser grande.

"O tempo está correndo bem. Está na fase de granação. Daqui a um mês começa a amadurecer."

O Brasil deverá colher neste ano a maior safra de café para um ano de baixa do ciclo bianual, que alterna colheitas maiores e menores a cada ano.

O país deverá produzir 48,57 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

(Por Gustavo Bonato e Roberto Samora)

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