Produtores argentinos interrompem vendas de grãos em protesto

Os agricultores argentinos interromperam as vendas de trigo, milho e soja nesta segunda-feira ao iniciar protesto contra os limites às exportações, reacendendo disputa que ajudou a puxar os preços globais para preços recordes três anos atrás.

HELEN PO, REUTERS

17 de janeiro de 2011 | 13h30

O protesto de sete dias dos produtores pode aumentar o receio sobre oferta justamente quando o clima seco ligado ao La Niña piora o cenário para a produção de milho e soja do país.

O desentendimento entre os fazendeiros argentinos e o governo sobre os limites à exportação para conter a inflação de dois dígitos e garantir a oferta diária de produtos básicos a preços aceitáveis já dura anos.

Eles argumentam que o sistema de cotas de milho e trigo faz com que moinhos e exportadores paguem baixos preços aos fazendeiros, e querem o governo de centro-esquerda da presidente Cristina Fernandez acabe com os limites.

"Estas medidas distorcidas, intervencionistas, têm sido repetidas por diversas colheitas em anos recentes", disse Hugo Biolcati, líder da Sociedade Rural Argentina, quando os quatro grupos de produtores anunciaram a greve na semana passada.

O protesto desta semana, que vai até o próximo domingo, é uma má notícia para o governo de Fernandez a quase nove meses da eleição na qual se espera que ela tente a reeleição.

A onda de protestos que começou em março de 2008 contra o aumento da tarifa nas exportações de soja abateu sua popularidade, atingiu os preços de ativos na Argentina e interrompeu embarques no pico da colheita da soja.

Este protesto não deve causar o mesmo interesse público como a greve de 2008, e o impacto nos preços dos grãos será provavelmente pequeno porque a colheita da soja e do milho ainda não começou.

CLIMA PREOCUPA

Nos principais portos de grãos de Rosario, a comercialização em geral é fraca nesta época do ano e os esmagadores e exportadores aumentaram as compras na semana anterior em antecipação à greve.

"Quando a greve foi convocada, eles começaram a comprar para elevar estoques", disse Lorena D'Angelo, uma analista da bolsa de grãos de Rosario.

Os operadores na bolsa de Chicago (CBOT) provavelmente estarão mais preocupados com o impacto da seca na condição das lavouras argentinas de milho e trigo do que com a greve de fazendeiros.

Analistas de grãos começaram a cortar suas estimativas para a produção de grãos --para até 40 milhões de toneladas no caso da soja, ante uma projeção inicial de 52 milhões de toneladas.

O nervosismo com o clima ajudou a puxar os preços do milho e da soja para as máximas de 2008 nas últimas semanas.

O aumento dos preços é uma boa notícia para os fazendeiros, mas os solos secos agravam o sentimento na região dos Pampas da Argentina.

"Os protestos são sempre mais fortes quando as coisas estão ruins", disse Mario Llambias, presidente da Confederação Rural Argentina, em entrevista à Reuters na semana passada.

(Reportagem adicional de Nicolas Misculin, Maximilian Heath e Maximiliano Rizzi)

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