Produtores já utilizam inseminação e sexagem

Embora ainda haja resistência às novidades, pecuarista diz que técnicas resultam em economia

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 02h32

A inseminação artificial já é uma tecnologia viável para criadores de gado comercial. ''''O problema é que a maioria acha caro. Mas temos de derrubar esse mito'''', diz o criador Felipe Picciani. Além das 3 mil cabeças de nelore PO, ele tem 10 mil bovinos de corte, em São Félix do Araguaia (MT).Segundo seus cálculos, o custo com o uso de inseminação artificial no rebanho é de apenas um terço da reprodução convencional. Um touro de boa genética, exemplifica, custa em torno de R$ 3 mil e tem capacidade para cobrir 40 vacas na estação de monta.A dose de sêmen custa em média R$ 20 (com exceção dos grandes campeões, que são mais valorizados).Para a inseminação, deve-se comprar um brete, que custa entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, e capacitar funcionários. ''''Resumindo, com algo em torno de R$ 15 mil dá para inseminar 500 vacas'''', diz. ''''Já com touros, seria preciso comprar 13 animais, que custaria R$ 39 mil'''', calcula. Outro ganho, defende, é na qualidade do rebanho. A média de abate de seu plantel é de 28 meses.TEMPO FIXOOutra tecnologia viável para pecuária de corte é a inseminação a tempo fixo. Usa-se uma espécie de hormônio para sincronizar o cio das vacas e inseminar todo o rebanho na mesma época, concentrando, assim, os partos. Com isso, o pecuarista reduz a estação de monta de 120 dias para apenas 30 dias. ''''Melhoramos o manejo dos lotes e temos um rebanho homogêneo.''''A sexagem de sêmen é outra ferramenta recente que tem mostrando bons resultados. O gerente de Área da Lagoa da Serra, Rogério Freitas de Paula, diz que, com a técnica, o produtor direciona seu rebanho escolhendo o sexo do embrião.QUASE 100%O produtor de leite tem preferência por fêmeas, enquanto o de corte prefere machos. ''''A margem de garantia é de 85% com a sexagem, mas os resultados que temos tido é de 90%'''', afirma. Na reprodução natural, o porcentual normalmente é 50% machos, 50% fêmeas.''''Para conseguir cem vacas, o criador teria de comprar 200 doses de sêmen ou cobrir 200 matrizes. Com o sêmen sexado, pode reduzir este investimento. O custo-benefício compensa, tanto para rebanho de elite quanto comercial'''', garante.Segundo Freitas, a demanda este ano cresceu e já supera a oferta. ''''Temos capacidade para produzir de 12 mil a 15 mil doses de sêmen sexado e a demanda é de 26 mil doses.''''

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