Produtores queimam caminhão da Funasa no Mato Grosso

Um caminhão da Funasa foi roubado e incendiado na manhã deste sábado ao tentar passar em Posto da Mata em Alto da Boa Vista, 1.064 quilômetros de Cuiabá. Posto da Mata é onde se concentra um foco de resistência à desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé.

FÁTIMA LESSA, Agência Estado

29 Dezembro 2012 | 17h13

De acordo com informações da Fundação nacional do Índio (Funai) o caminhão estava cedido para a Sesai, e transportava cestas básicas para uma aldeia do Mato Grosso. Durante o período de festas, os trabalhos da força-tarefa do governo federal para desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé, no estado do Mato Grosso, seguem sem interrupção.

Ainda nas informações da Funai, "supostas lideranças reunidas nesse local têm estimulado agressões ao processo e ao direito das pessoas de deixarem a área". A Polícia confirma que "constrangimentos às famílias que desejam retirar seus pertences, com ameaças de que seus caminhões de mudança serão queimados e que suas casas serão entregues para o pessoal sem-terra", informou o órgão, em nota oficial.

Foram registradas ainda tentativas de proibir essas famílias de desmanchar os telhados de suas casas e de recolher seus pertences para reconstruir suas moradias em outro local. Essas "lideranças" tentam impedir as pessoas que querem se retirar da área de circular na direção de Alto Boa Vista e promovem sucessivos bloqueios na BR 158 e na MT-240, que liga Água Boa a Nova Nazaré, desacatando a ordem judicial.

No Posto da Mata já foram identificados pelos órgãos policiais pessoas com histórico de prisão por homicídio, assalto a bancos, tráfico de drogas, sequestro e assalto a mão armada. A Justiça e o Ministério Público, em conjunto com a força-tarefa do governo federal, já manifestaram a determinação de enfrentar com firmeza aqueles que tentarem colocar obstáculos ao cumprimento da ordem judicial.

Entre os dias 20 e 27 foram vistoriadas mais 30 fazendas, sendo 16 desocupadas, apesar de locais de difícil acesso, alguns com necessidade de utilização de aeronaves para o cumprimento dos mandados. Desde o início da operação até sexta-feira (28), foram cadastradas 201 famílias para análise de perfil com vistas ao reassentamento em programas da reforma agrária. Foram consideradas aptas, até o momento, 92 famílias.

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