Professor disse que atirou para se defender de vizinhos

Acusado de ter matado uma pessoa e ferido outra por causa do barulho de uma casa de vizinhos, o professor João Tadeu Arruda, de 62 anos, se apresentou nesta sexta-feira na delegacia de General Salgado (SP), onde o crime aconteceu, na madrugada de 1º de abril. Arruda confirmou que foi autor dos tiros que mataram o cortador de cana Raimundo Patrício Ferreira, de 32 anos, e feriram o colega deste, Adriano dos Santos Costa, de 19. Porém, em depoimento, o professor disse que não teve intenção de matar e que precisou atirar para se defender de um grupo de 15 a 20 cortadores de cana que ameaçava invadir sua casa, depois que ele (Arruda) discutiu com uma vizinha de fundos, também cortadora de cana.

CHICO SIQUEIRA, Agência Estado

13 de abril de 2012 | 18h50

"Essa discussão ocorreu porque a mulher discutia, em alto som, com outro homem e ele disse ter ido lá para pedir que parassem com a briga, pois era tarde (23h30) e ele precisava dormir", contou o delegado Eugênio Dias do Vale, que colheu o depoimento do professor nesta sexta-feira. "Ocorre que essa mulher, depois de xingamentos, ligou para um grupo de outros cortadores de cana que estava em um bar próximo e o grupo foi até a casa do professor tirar satisfação", comentou o delegado.

Segundo Vale, depoimentos de testemunhas que estavam no grupo confirmam a versão de que os cortadores tentaram invadir a casa do professor, mas foram repelidos depois que ele apareceu na frente da residência com uma carabina. "Mesmo assim, pessoas do grupo ainda o provocaram, pedindo para que ele atirasse", contou o delegado. "Ele contou que ficou com medo e que atirou para se defender do grupo", completou Vale. Apesar disso, o professor foi indiciado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, mas não teve a prisão temporária ou preventiva decretada, segundo o delegado, porque não há motivos para tal procedimento. "Ele é primário, tem residência fixa e prometeu comparecer às audiências", contou.

De acordo com o delegado, após atirar, o professor contou que fugiu com um carro porque estava armado de um revólver - a carabina, calibre 22, foi deixada na casa. "Ainda tentaram revirar o carro, mas como estava armado com o revólver conseguiu fugir", disse. Mesmo assim, o grupo invadiu e depredou a casa e ateou fogo em outro carro do professor. Segundo o delegado, o advogado de defesa ficou de apresentar nos próximos dias o revólver usado na fuga.

O professor João Tadeu Arruda foi quem descobriu, em 2005, os primeiros fósseis do crocodilo-tatu, uma espécie única que viveu há 90 milhões de anos. O animal, que levou seu nome, Armadilloususchus arrudai, tinha cerca de dois metros de comprimento e pesava 120 quilos. Ele tinha uma carapaça semelhante a de um tatu.

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