Professor é denunciado por racismo

Docente da Universidade Federal do Maranhão é acusado por alunos de ter ofendido nigeriano

ERNESTO BATISTA, ESPECIAL PARA O ESTADO / SÃO LUÍS, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h08

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou ontem o professor universitário José Cloves Verde Saraiva por crimes de racismo, xenofobia e injúria racial, praticados durante aula do curso de Engenharia Química na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em 2011.

O caso foi denunciado pelos alunos, por meio de um abaixo-assinado, e investigado pela Polícia Federal. "Nós, estudantes (...), informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos os alunos da turma", escreveram.

No abaixo-assinado, os estudantes descreveram as humilhações. "Na entrega da primeira nota, o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que 'tirou uma péssima nota'; por mais de uma vez, o professor interpelou nosso colega, dizendo que deveria 'voltar à África' e 'clarear a sua cor'; em outro trabalho, o professor não corrigiu, limitando-se a rasurar com a inscrição 'está tudo errado' e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega", diz o documento.

O nigeriano Nuhu Ayuba integra um grupo de estudantes africanos que chegou em São Luís por meio do Programa de Estudantes - Convênio de Graduação (PEC-G), administrado pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Educação. Ele estava em São Luís havia três meses quando ocorreu o incidente. Segundo alunos, a forma com que Saraiva se referia ao aluno prejudicou o seu desempenho escolar.

Inaceitável. O procurador da República Israel Gonçalves Santos Silva, que ofereceu a denúncia à Justiça Federal, afirmou na denúncia que "é inaceitável qualquer prática racista ou preconceituosa, principalmente a lançada no seio de um ambiente acadêmico, que deveria prezar pelo acolhimento da mais ampla diversidade sociocultural e etnicorracial, dada à pluralidade dos cidadãos que compõem o povo brasileiro".

Saraiva divulgou um texto, no qual disse que vinha "mui respeitosamente pedir desculpas públicas pela interpretação, certamente dúbia, do aluno nigeriano Nuhu Ayuba".

Para Gonçalves, o professor incidiu também em improbidade administrativa, pois descumpriu o dever de não discriminar. Se condenado por todos os crimes a que foi denunciado, a pena pode chegar a 15 anos de reclusão, além do pagamento de multa indenizatória.

E, se for condenado também por improbidade, o professor universitário perderá o cargo público e os seus direitos políticos por cinco anos.

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