Professora Nota 10

A adolescência americana vive a fantasia de domir com as professoras. Conservadores dizem que há 'uma epidemia de relações sexuais entre mestras e alunos'.

Lucas Mendes, BBC

30 Junho 2011 | 13h03

" Temos um herói ", escreveram alguns amigos quando um adolescente foi primeira página no Brasil porque transou com uma professora casada.

Um dos amigos queria levantar verba para colocar uma estátua do garoto na porta da escola, com o pinto de fora. Ereto.

Mesmo na pré-adolescência meus colegas de turma queriam ver a calcinha da professora. Na pré-mini-saia era quase impossível.

Um mais ousado trazia um espelho na ponta de uma vara e quando ela estava no quadro negro, colocava o espelho no chão, logo atrás dos sapatos. Pego em flagrante, foi parar na sala da diretora. "Super gostosa" dizia ele. Se ela bobeasse levava uma espelhada.

Numa velha escola o chão de madeira tinha frestas entre as tábuas. O porão passou a ser ponto de observação e masturbação.

E numa cidade do interior um dos pontos altos do dia era acompanhar, do topo do pé de carambola, o banho das quatro de uma professora. Mesmo sem masturbação, lá em cima, era excitante.

Durante o ginásio só tive professores padres e militares, e no científico ou clássico, como eram chamados os três últimos anos do secundário, minhas professoras não eram musas.

A adolescência americana vive a mesma fantasia de domir com as professoras. Líderes conservadores dizem que há "uma epidemia de relações sexuais entre mestras e alunos na faixa de 13 aos 15". Aos 16, na maioria dos Estados, dá expulsão da escola, maldição, mas não é crime.

Na minha pesquisa não encontrei nenhuma epidemia mas alguns casos que receberam extraordinária atenção da imprensa, talvez por falta de assuntos mais relevantes ou porque os personagens eram atraentes.

Um dos que mais indignou os conservadores foi o da professora Pamela Diehl-Moore, de 43 anos, que, chorosa na frente do juiz, admitiu que tinha dormido com um aluno de 13 anos.

Depois de uma longa pausa, Bruce A. Baeta, do Supremo estadual de Nova Jersey, disse que a professora não era uma predatora. " Uma coisa "clicou" entre essas duas pessoas e foi além de uma relação convencional de professora-aluno".

Cinco anos de liberdade condicional, nenhum dia de prisão. "Clicou é a mãe!" protestaram inutilmente os puritanos.

Mais picante foi o caso da professora Mary Kay Letourneau, de 34 anos, com um aluno de 13 anos. Ela era casada, mãe de quatro filhos, tinha um marido que traía e um pai, deputado federal, ultra-conservador.

Mary e Vili foram flagrados no banco de trás do carro e ela foi condenada a 7 anos e meio de prisão mas depois de seis meses, grávida com uma filha do Vili, foi posta em liberdade por bom comportamento e com a condição de não chegar perto do garoto.

Chegou. Foi flagrada, presa e levada para cumprir o que faltava da sentença. Estava grávida outra vez do Vili.

Ela e o garoto embolsaram US$ 200 mil de adiantamento e lançaram na França o livro Un seul Crime, L'amour. No ano 2000 saiu o filme baseado no livro. Em 2005 se casaram numa cerimônia que foi vendida por US$ 750 mil para os tablóides.

O casal vive hoje em uma casa a beira mar, no Estado de Seattle.

Pelos estudos e pesquisas há atividade sexual mais frequente entre professores e alunas. Os de educação física lideram os abusos.

Um estudo de 2003 mostra que 159 técnicos de times escolares foram repreendidos ou demitidos, mas 98 continuaram suas carreiras.

Quem já teve uma professora linda e provocante como a Cameron Diaz? Da minha turma ninguém.

No filme Bad Teacher (A Professora Má) ela faz de tudo menos transar com alunos. Fuma maconha, transa, não "no" carro mas "com" o carro, diz palavrão, dá bolada na cabeça de aluno que não sabe a resposta, rouba resultado de teste e faz tudo que for preciso para pagar por uma cirurgia plástica por peitões poderosos.

Julia Roberts é mais mansa com o aluno marmanjo Tom Hanks, em Larry Crowne. Como Cameron, ela tem pavor da vida de professora.

A educação americana vai de mal a pior e não está claro se é culpa dos alunos, dos pais, dos professores ou do sistema mas, em Hollywood, como mostram os filmes lançados na última semana, fracassos de professores nas escolas são sucessos nas telas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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