Professores municipais do Rio decidem encerrar greve

Cerca de 2 mil professores reunidos nesta sexta-feira, 25, em assembleia decidiram encerrar a greve na rede municipal do Rio. A decisão foi apertada, com menos de 200 votos de diferença entre a proposta vencedora e a que defendia a continuação da paralisação. Os professores chegaram à assembleia divididos. Foram necessárias duas votações para definir os rumos do movimento grevista. Na primeira, não foi possível definir por contraste a posição da categoria. Os professores, então, contaram os votos um a um: o placar ficou em 1.085 a 888.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

25 Outubro 2013 | 20h22

A reunião, que durou cinco horas, teve momentos de tensão. Uma mulher, que vestia camisa de aluna da rede municipal, foi agredida. Três homens, acusados de estarem infiltrados na assembleia, foram expulsos pelos professores. Outro homem que estava ao lado deles foi acusado também, mas mostrou o contracheque, comprovando ser funcionário da rede.

Foram necessárias duas votações para definir os rumos do movimento grevista. Na primeira, não foi possível definir pelo contraste de braços erguidos. Os professores, então, contaram os votos um a um: o placar ficou em 1.085 a 888. Em protesto contra o acordo assinado pelos professores em audiência de conciliação intermediada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), alguns usavam adesivos com a inscrição "fomos vendidos" ou "fomos negociados".

A militante Elisa Sanzi, conhecida como Sininho, que foi uma das presas da manifestação do dia 15, foi aplaudida ao chegar à assembleia, mas acabou impedida de discursar antes que os professores expusessem as razões para a continuidade ou não da greve. Na véspera, ela tinha defendido pela continuidade da greve. Outro personagem conhecido nas manifestações, o protético Eron Melo, que se fantasia como Batman, esteve na assembleia.

"Não é esta direção vendida que decide sobre a continuidade ou não da greve. O governo quer nos dividir", discursou um professor, que pedia a continuidade da paralisação. "Esse acordo é a maior rendição do movimento sindicalista", defendeu outro. "Greve é questão política. A nossa categoria, que botou 20 mil na rua, tem força política para continuar? E colocar todas as conquistas no chão? Me dói defender a suspensão da greve. Não é para comemorar. Mas tem professoras com 40 anos de magistério que estão cansadas, e eu vou voltar de mãos dadas com elas para a sala de aula", discursou uma professora que se identificou como Elizabeth.

As aulas foram suspensas em 8 de agosto e chegaram a ser retomadas em setembro. Mas a categoria retomou a greve depois que a Câmara de Vereadores aprovou plano de cargos e salários proposto pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). Para os professores, o plano só beneficia 10% da categoria - os docente com carga horária de 40 horas semanais.

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