Professores temporários seguirão ensinando física

Na rede estadual de São Paulo, 92% dos candidatos não atingiram a nota mínima em concurso e não ocuparão vagas

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

A rede estadual de São Paulo vai continuar usando professores temporários para aulas de física em 2011, já que mais de 92% dos candidatos foram reprovados no concurso de ingresso. Segundo o secretário de Educação, Paulo Renato Souza, candidatos que não atingiram a nota mínima não ocuparão as vagas.

Conforme informou ontem o Estado, apenas 304 professores da disciplina passaram no concurso, que tinha 941 cadeiras disponíveis. "Vamos chamar os professores de acordo com a proporção de temporários existentes em cada disciplina. Já que não atingimos a meta em física, chamamos mais candidatos de outras disciplinas", afirmou o secretário ao Estado.

De acordo com ele, não haverá falta de professores. "No próximo concurso, compensaremos chamando mais professores de física. Agora efetivaremos menos do que gostaríamos, mas ainda temos os temporários."

Dos 261 mil professores inscritos no concurso de ingresso para a rede, apenas 22,8% - 52.839 candidatos - obtiveram nota mínima para aprovação. A pasta ofereceu 10 mil vagas. "Não há dúvida de que os números são decepcionantes. É uma taxa muito baixa", afirma Paulo Renato.

Reprovações. Com exceção de física, todas as disciplinas tiveram as vagas preenchidas, segundo a secretaria. Os aprovados devem formar a primeira turma da Escola de Formação de Professores, projeto da pasta que começa em agosto e vai até novembro. Após o curso, os professores farão uma prova e somente os aprovados no exame poderão lecionar na rede em 2011.

A situação mais crítica, além da área de física, aparece em matemática. Apenas 10,7% dos 27.308 professores que fizeram o exame foram aprovados.

A taxa mais alta de aprovação aparece em inglês: 43,6%. Em língua portuguesa, foi de 18,1%; em biologia, 20,4%; história, 23,4%; geografia, 32,3% e química, 33,2%.

Para os educadores, os índices refletem um problema crônico da educação: a formação dos profissionais. "A solução é investir na formação continuada, mas as ações que existem são repetitivas e problemáticas", afirma a coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, Maria Amabile Mansutti. "O professor também deve ter autonomia e não ficar esperando o que o governo vai fazer."

"Os números do concurso indicam problemas, mas as provas nem sempre dão uma ideia precisa da realidade", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse, que defende a formação como responsabilidade estadual e federal.

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