Programa de aids não inclui novas drogas para crianças

O Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST-Aids) não incluirá nas orientações para o tratamento de crianças com o HIV, vírus causador da doença, quatro novos medicamentos sugeridos por especialistas. A decisão provocou polêmica entre os integrantes do grupo eleito pelo próprio governo para recomendar a assistência para esta faixa etária. Parte dos integrantes protesta por achar que a inclusão aceleraria o registro e a incorporação das drogas no sistema público, garantindo mais alternativas para crianças que já não melhoram com os remédios usados no Brasil.

AE, Agencia Estado

23 de março de 2009 | 08h13

Atualmente, alguns centros públicos compram emergencialmente as drogas que os especialistas querem. Mas, segundo eles, poderia haver mais agilidade com o registro e a posterior disponibilização dos remédios no Sistema Único de Saúde (SUS) para casos específicos. A última atualização do consenso de medicamentos ocorreu em 2006. O governo, no entanto, considera que é preciso aguardar a análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa anterior ao registro das drogas.

?A inclusão é feita segundo o registro da Anvisa. Como o governo poderá recomendar uma droga que não está autorizada no País??, questiona a diretora do programa de aids, Mariângela Simão. Ela afirma que a versão final do consenso será publicada em 30 de abril sem atualizações quanto aos antirretrovirais, medicamentos destinados a esses pacientes. O programa não é obrigado a acatar as recomendações dos especialistas.

Representante das pessoas que vivem com HIV no grupo assessor, José Araújo destaca que o programa poderia buscar meios de acelerar os registros e baratear custos. ?É um grupo pequeno (de crianças que precisam dos remédios). Qual a necessidade do comitê se eles trabalham apenas com o que está disponível e não acatam recomendações??, questiona. O professor da Universidade Federal de Minas Gerais Jorge Pinto concorda com a decisão do governo. ?Nossa agência é a Anvisa, não a FDA ( órgão de vigilância sanitária dos Estados Unidos). Temos de respeitar nossa regulamentação.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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