Programa de swap pode superar US$50 bi, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o programa de swap cambial do BC pode ultrapassar os 50 bilhões de dólares já anunciados. Veja a seguir trechos de uma entrevista concedida por Meirelles à Reuters neste domingo. Pergunta - Qual é a principal questão sobre a crise que preocupa no curto prazo? Meirelles- "A grande questão a ser observada no curto prazo é exatamente a restrição de crédito, não só nos Estados Unidos e na Europa, mas a restrição de crédito internacional e a consequência disto para o resto do mundo e o funcionamento dos mercados. Porque em alguns países, principalmente, os mercados estão disfucionais" Pergunta- Os governos já fizeram o que poderiam para restaurar o crédito? "É um pouco prematuro fazer essa avaliação porque, no caso dos Estados Unidos, o programa ainda não foi implantado. Dos 850 bilhões de dólares definidos pelo Congresso americano como disponíveis para aplicação, apenas 250 bilhões de dólares foram definidos como sendo direcionados para recomposição de capital das instituições financeiras. O restante evidentemente será definido em conjunto, suponho, pela administração que termina o mandato e pela administração que vai se iniciar." Pergunta - O período de transição de governo nos Estados Unidos pode tornar as ações anticrise mais lentas? Meirelles - Eu particularemente espero que a definição do processo eleitoral americano possa agora acelerar a direção e o encaminhamento das questões. Pergunta - O mercado de câmbio brasileiro já chegou à normalidade? Meirelles - O mercado de câmbio sofre influências de fatores diversos. Muitos deles são componentes internacionais. Seja a questão da restrição de liquidez internacional... Mas existem outros fatores. Por exemplo, a desalavancagem internacional: hedge funds que sofrem saques e vendem ativos mais líquidos em diversos países. Existe o fenômento de empresas multinacionais que podem fazer remessas de caixa para suas matrizes; existe a questão da aversão ao risco internacional e, portanto, de uma valorização do dólar contra todas as moedas. São fenômenos diversos que não podem ser simplicados num processo só. O Banco Central está tomando todas as medidas necessárias e está preparado para continuar tomando. Pergunta - No Brasil, os 50 bilhões de dólares anunciados em contratos de swap cambial tradicional vão ser um teto? Meirelles - Não. Isso foi uma decisão da diretoria de que este montante estava disponsível, nada impede que isto seja mudado, para mais ou para menos. É importante considerar, para as posições de swaps cambiais que sintetizam uma venda futura no mercado de câmbio, o BC tem o hedge natural das reservas. Então nós temos uma grande latitude para tomar posições. Na medida em que o Brasil tem esse montante de reservas, tem uma posição bastante confortável de atuar nos mercados futuros." Pergunta - O senhor falou na sexta-feira acreditar que o programa de US$50 bilhões seria mais que suficiente. Meirelles - Foi a nossa avaliação feita naquele dia e que permanece. Evidentemente, nós não nos comprometemos com decisões futuras, nada impede que possamos mudar para baixo ou para cima, mas a nossa avaliação até o momento é esta. Pergunta - O que pode sair da reunião do BIS (nesta segunda-feira em São Paulo)? Meirelles - Em primeiro lugar, ela ocorre em seguida à reunião do G20. Portanto, nós poderemos discutir nesta reunião as consequências de política monetária... e refinar a resposta dos bancos centrais à crise. Em segundo lugar, é muito importante em função do momento que estamos vivendo, de implementação dos diversos pacotes fiscais... É uma reunião de avaliação. Existe uma reunião pela manhã que é sempre com o mesmo tema, isto é, a economia global. E uma reunião à tarde que, dependendo do momento se define o tema e o tema que foi definido é a volatilidade dos mercados de câmbio, causas e soluções. Pergunta - O movimento de consolidação do sistema bancário no Brasil não pode acabar chegando muito perto de um movimento de concentração bancária não saudável? Meirelles - Todas as fusões ou aquisições bancárias são sujeitas à aprovação do Banco Central e, entre diversos aspectos, ele analisa isso.

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