Programa de TV é acusado de leiloar joias roubadas

A Polícia Civil investiga se parte das joias roubadas em condomínios e mansões, normalmente em arrastões, vai parar nos leilões realizados na TV. A suspeita surgiu após a denúncia de uma vítima. Criminosos invadiram seu apartamento no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo, no réveillon. Duas semanas depois, um parente viu peças de sua coleção à venda no programa "Mil e Uma Noites", que é gravado em Curitiba e exibido pelo canal CNT.

AE, Agencia Estado

22 de junho de 2009 | 09h49

A vítima procurou a polícia e foi orientada a recomprá-las. No momento da entrega, um funcionário foi detido e os responsáveis pelo programa, que negam irregularidade, tiveram de comparecer ao Distrito Policial. O episódio deu origem a uma complexa investigação, que consta no inquérito policial instaurado no 15º Distrito Policial (Itaim-Bibi), para apurar o furto e possíveis crimes contra a ordem tributária e de receptação de produto roubado.

A vítima disse à polícia que algumas das peças eram feitas por encomenda. O diretor do "Mil e Uma Noites", Paulo Calluf, diz que as peças que a mulher reconheceu são joias fabricadas em série. ?Estamos há 15 anos produzindo programas de televendas. Nossa empresa é idônea?, assegura. O advogado de Calluf, Figueiredo Basto, disse que as joias do programa são adquiridas em leilões da Caixa Econômica Federal (CEF) e de fornecedores particulares. Ele argumenta que seu cliente ?também é vítima, por ter adquirido um lote de joias com peças de origem ilícita.?

O setor de penhores da Caixa Econômica Federal (CEF), que emprestou R$ 5,8 bilhões no ano passado, promove leilões quando o bem não é resgatado pelo cliente. ?Antes, qualquer um podia ir à Caixa e penhorar joias. O mercado paralelo correspondia à cerca de 8% do oficial?, diz Tufy Karan, presidente da Associação dos Relojoeiros e Joalheiros do Estado do Paraná (Arjep). Karan conseguiu mudar algumas regras praticadas pela Caixa. Com a adoção de novas medidas, como checagem do CPF na Receita Federal, há três anos não ocorrem denúncias de que joias de origem ilícita foram comercializadas em leilões promovidos pelo banco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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