Programa legal de índio

Tewari Karajá tem 11 anos e torce para o São Paulo. Lá da Ilha do Bananal, no Tocantins, acompanha os jogos com olhos atentos e com a ajuda da antena parabólica de sua televisão. Isso quando não está na escola navegando pelo Orkut ou tendo aulas de português. Douglas, Eliezer e Cadmiel (que, apesar dos nomes comuns, são índios legítimos do Terena, nascidos e criados no Mato Grosso do Sul) também têm paixão pelo futebol. Mais do que nadar em açudes, ver seus pais transformando madeira em flechas ou passar o dia brincando de lutar. Pois é, parece que a vida dos índios, hoje, já é bem parecida com a dos brancos.

Thais Caramico, de O Estado de S. Paulo,

23 de novembro de 2009 | 15h48

 

 

Eles frequentam escolas, prestam vestibulares e até comemoram o Dia das Crianças. Mas, ainda assim, preservam uma série de tradições e curiosidades, brincadeiras e rituais que, para quem não está acostumado, ficam ainda mais legais. Uma delas é tatuar o corpo usando uma mistura da tinta que sai de um fruto chamado jenipapo com a fuligem do carvão. Outra é dançar com bambus. E tem ainda o cabo de guerra, que eles brincam o tempo todo, e o fato de falar uma língua que só o pessoal da aldeia entende.

 

Tudo isso você pode ver e aprender no Okara, um encontro com povos indígenas de cinco etnias, que acontece hoje (dia 21) e amanhã no Sesc Interlagos. Em uma grande aldeia, igualzinha a que eles vivem, cerca de 200 índios estarão reunidos em cinco cabanas gigantes. Elas foram construídas com madeira e cobertas com palhoça e folhas.

Veja no rodapé desta e da próxima página o que vai acontecer nos dois dias e programe o seu passeio. Se não for pela curiosidade, que seja para ficar mais perto da natureza. E não se preocupe que todo mundo fala a nossa língua.

 

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Muito antes dos portugueses chegarem para transformar este país num lugar chamado Brasil, mais de 1.000 povos indígenas viviam aqui. Somados, eram entre 2 e 4 milhões de pessoas. Hoje, restam 232 povos, que falam mais de 180 línguas diferentes. Mas muitos, principalmente os mais velhos, já falam bem o português.

 

O legal é que, por viverem de um jeito diferente do nosso, eles têm brincadeiras e histórias que nós não conhecemos. E, apesar de tímidos, são bastante corajosos. O único animal que causa medo a eles, por exemplo, é a cobra. Na cozinha, são fãs de mandioca, batata-doce, amendoim, milho verde, palmito, peixe (muito peixe), frutas, abóbora, javali, entre outros alimentos.

 

Enquanto as crianças brincam, os mais velhos vivem de pesca, plantação e artesanato. São muitos bons para fazer colares de pedras e sementes, redes, esteiras, arcos, flechas, panelas de barros, cestas, cerâmicas e vários enfeites para o próprio corpo, como cocar e pulseiras.

 

PINTE SEU CORPO

A pintura corporal faz parte da vida do índio. Em toda festa na aldeia, os corpos são pintados. Os grafismos ou traços têm significados diferentes, próprios de cada etnia.

 

A tinta preta vem de um líquido encontrado no fruto jenipapo. Já a cor vermelha, que os índios Xavante espalham pelo corpo, vem do urucum. As pinturas duram até 15 dias. Mas você pode copiar os detalhes dessas fotos usando tinta guache, que sai fácil na água, e fazer sua própria festa.

 

SERVIÇO

Na língua guarani, Okara quer dizer “ponto de encontro” ou “praça central da aldeia”. Mas no Sesc Interlagos, a programação se divide por quatro núcleos. Além de poder visitar a aldeia multiétnica, há um local para ver os rituais, outro para o artesanato e ainda uma exposição sobre a cultura do Xingu (esta vai até fevereiro).

Sesc Interlagos. Av. Manuel Alves Soares, 1.100, Parque Colonial. 5662-9500. 9 h às 17 h.

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