Programa para professor melhora nota de alunos

Docentes receberam qualificação em ciências e estudantes americanos tiveram melhoria de 10% em exame; no Brasil, ensino é insuficiente

Alexandre Gonçalves, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 00h00

Um programa para professores de ciências na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, melhorou em 10% o desempenho dos alunos que tiveram aulas com docentes que o frequentaram. O projeto levava professores das escolas públicas americanas para pesquisar na universidade durante as férias de verão. O sucesso do programa mereceu artigo na Science.

A melhora no desempenho dos estudantes foi medida pelos exames Regents - prova que todos os alunos do Estado de Nova York devem fazer para receber o diploma do ensino médio. Segundo dados de 1994 a 2005, os alunos beneficiados indiretamente pelo projeto costumam passar com mais facilidade no Regents, o que diminui os custos com aplicação de novas provas e aulas de reforço. Além disso, professores que passam pelo programa têm uma taxa de permanência na atividade docente três vezes maior que os demais. Há portanto economia em processos seletivos.

"A ideia é muito simples. Utiliza recursos humanos e físicos existentes. Os benefícios econômicos excedem os custos. Em suma, funciona", afirma Samuel Silverstein, professor do curso de Medicina e um dos criadores do programa.

Nelio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), considera o estudo da Science mais uma prova de que a participação em qualquer projeto aumenta a motivação dos professores e provoca impacto significativo no desempenho dos alunos.

No Brasil, os problemas do ensino de ciências ficaram patentes no último Pisa, avaliação internacional feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os resultados mostraram, em 2007, que 61% dos estudantes estavam no pior nível de desempenho e 27% deles não obtiveram pontuação para alcançar o nível mais elementar - no ranking de 57 países, o Brasil ficou em 52º. Segundo dados do último Saresp, avaliação anual da Secretaria Estadual da Educação, os alunos da rede paulista não sabem os conteúdos mínimos de ciência das séries em que estão. Na prática, não entendem ou têm noções mínimas de saúde, fenômenos da natureza, processos biológicos, reações químicas e leis da física.

"O ensino de ciências no País já foi muito bom para uma pequena parcela de alunos", diz Bizzo. "Hoje, mesmo nos colégios de elite, ele é fraco." Apenas 8% dos professores de física e 12% dos de química no Brasil são formados na área, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Mas há, em universidades públicas como USP e Unicamp, iniciativas para despertar o interesse dos alunos do ensino médio pela ciência.Muitos colégios também organizam feiras de ciência. Um deles é o Centro Educacional e Assistencial de Pedreira, na zona sul de São Paulo, que reuniu cerca de cem projetos científicos na última edição da sua feira.

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