´Proibido fumar´ significa que não se pode fumar, diz OMS

Diretriz adotada pela Organização Mundial da Saúde diz que não há nível seguro de exposição ao cigarro

Ed Cropley, Reuters

07 Julho 2007 | 21h51

Em 146 países do mundo, o aviso de "é proibido fumar" passará a significar exatamente isso: "é proibido fumar". Além de elaborar leis internacionais para combater o tráfico de cigarros, autoridades que participam de um importante encontro antitabagista da Organização Mundial da Saúde (OMS) adotaram definições rigorosas sobre o significado da proibição de fumar em bares e escritórios. As diretrizes, que não possuem força de lei, estipulam que "não há nível seguro de exposição à fumaça dos cigarros", acrescentando explicitamente que medidas paliativas como a criação de áreas para fumantes, a instalação de filtros de ar ou o uso de ventiladores não funcionam. "Essas diretrizes são importantes para contradizer alguns dos mitos disseminados pela indústria do fumo", disse na sexta-feira, em uma entrevista coletiva, Douglas Bettcher, chefe da Iniciativa Antitabagista da OMS. "A indústria do cigarro sabe que a proibição do fumo em espaços públicos e nos locais de trabalho encoraja os fumantes a reduzir o consumo de cigarro e a largar o vício. E também reduz as chances de outras pessoas tornarem-se viciadas." "A indústria do cigarro diz que o fumo passivo não passa de um incômodo. Mas não se trata de um incômodo. Trata-se de algo mortal, letal. Trata-se de uma substância altamente cancerígena", afirmou Bettcher. As diretrizes não vigorarão nos EUA, na Rússia e na Indonésia, três países que não integram a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (FCTC), da OMS. No entanto, pessoas envolvidas nas campanhas de combate ao cigarro afirmaram esperar que as diretrizes, mesmo naqueles países, funcionam como parâmetro para as leis nacionais, estaduais e municiais. Autoridades da OMS também disseram acreditar que a Rússia assinará em breve a FCTC. O governo russo deu sinais, recentemente, de que deseja enfrentar os problemas crônicos de saúde provocados no país pelo consumo de cigarro e álcool. Cerca de 1 bilhão de pessoas morrerão neste século devido a doenças relacionadas com o consumo de tabaco se os governos dos países ricos e pobres não se mobilizarem para combater esse hábito, afirmou Bettcher, no início da conferência. No entanto, segundo a autoridade da OMS, se forem impostas políticas sabidamente eficazes, como o aumento dos impostos, a proibição da propaganda de cigarros e a criação de locais públicos nos quais é categoricamente proibido fumar, o número de fumantes pode cair pela metade até 2050.

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