Projeto busca envolver comunidade com a escola

Envolver a comunidade com a escola. Este é o objetivo da Mobilização Social pela Educação, criada em 2007, como um dos pilares do Plano de Desenvolvimento da Educação, lançado naquele ano pelo ministro Fernando Haddad. Isso porque, de acordo com a assessora especial do MEC, Linda Goulart, por melhores que sejam os programas voltados para o setor desenvolvidos pelos governos federal, estaduais e municipais, sem o engajamento da sociedade, eles não caminham.

CARMEN POMPEU, Agência Estado

14 Outubro 2011 | 17h01

Segundo ela, estudos e pesquisas sobre a importância dessa interação mostram que o envolvimento das famílias na educação de seus filhos e dependentes tem trazido uma série de benefícios para os estudantes, como a melhoria na capacidade de leitura, níveis mais altos de desempenho, maiores habilidades sociais e comportamentais e o aumento da probabilidade de conclusão do ensino médio.

É com esse intuito que o MEC tem tentado se aproximar de entidades religiosas, empresas e organizações não governamentais. O resultado dessa parceria foi mostrado no 1ª Seminário Internacional de Mobilização Social pela Educação, que reuniu de quarta-feira até hoje, 14, em Fortaleza, 500 participantes de todo o País. Durante os três dias do evento, comitês repassaram experiências de sucesso de projetos que conseguiram trazer as famílias para mais perto das escolas; "A comunidade tem que entender que a escola é o bem mais precioso que ela tem", diz Linda Goulart.

A assessora do MEC afirma ainda que as famílias têm o direito de cobrar seus direitos, mas também precisam exercer seus deveres para com a educação. E lembra que com a aproximação escola-comunidade todos ganham. "A escola quando se aproxima da família, sem preconceito, sabendo que vai encontrar uma família, muitas vezes desestruturada, de violência doméstica, de fome, de desemprego - e os professores têm que acreditar nisso, embora dê trabalho -, vai ver que aquela família tem algo a dar. Quando ela (família) é respeitada, quando se estabelece um diálogo com ela, ela passa a respeitar a escola também", ensina Linda.

Hoje, durante o último dia do seminário, Manoel Andrade, fundador da organização não governamental Programa de Educação em Células Educativas (Prece), emocionou a todos contando a história da entidade que nasceu numa velha casa de farinha de Pentecoste, no interior cearense, e conseguiu abrir as portas da universidade pública para jovens filhos de agricultores. Segundo ele, muitos desses jovens, hoje, são mestres e doutores, mas continuam de forma voluntária ajudando outros jovens de Pentecoste a ingressar no ensino superior.

O Prece tem como principal objetivo incentivar, apoiar e criar oportunidades para que crianças, adolescentes, jovens e adultos do Sertão do Ceará possam investir em seus estudos, concluir o ensino básico e ingressar na universidade. Foi criado em 1994 por sete adolescentes. E um deles conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal do Ceará, um dos mais concorridos do País. "A proeza se espalhou pelo sertão e serviu de chamariz para outros jovens pobres como ele", comenta Manoel Andrade. Hoje, a Prece atende a mais de dois mil estudantes dos municípios de Pentecoste, Apuiarés, Paramoti, General Sampaio, Umirim, Fortaleza e Maracanaú. O desenvolvimento intelectual dos jovens das comunidades rurais criou uma geração de empreendedores.

As ações educacionais do Prece seguem a metodologia da aprendizagem cooperativa, em que cada estudante tem sua vocação valorizada e potencializada e ajuda os demais nos campos de conhecimento em que tem mais afinidade, ao mesmo tempo em que recebe ajuda dos demais nas áreas onde tem maiores problemas de aprendizado.

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