Projeto combate obesidade com esporte e nutrição

Em três anos, número de meninos obesos caiu de 60% para 20%; grupo é liderado pela triatleta Fernanda Keller

CLARISSA THOMÉ / RIO , O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2012 | 02h06

Aos 14 anos, o estudante Rodrigo Medeiros pesava 112 quilos. Quando contou aos amigos que começaria a treinar triatlo, ouviu piadas. Determinado, ingressou no programa social que a triatleta Fernanda Keller mantém em Niterói e passou a fazer exercícios quatro vezes por semana. Mas a redução de peso ocorreu mesmo quando ele começou a ter acompanhamento de nutricionistas. Chegou aos 80 quilos.

"Quando eu comecei, os outros garotos me chamavam de gordinho. Ficava sempre para trás. Fui melhorando as minhas marcas e fui passando um a um", diz o rapaz, de 16 anos, que já correu a meia maratona e ganhou troféus em campeonatos estaduais.

Rodrigo está entre as 70 crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Correndo Por Um Ideal, que há três anos recebem acompanhamento médico e orientação nutricional. Nesse período, o número de meninos obesos caiu de 60% para 20%. Entre as meninas, a redução foi de 25% para 8%.

O Instituto Fernanda Keller começou a atender crianças e adolescentes em 1998, com atividades esportivas no contraturno escolar.

No entanto, apesar dos exercícios, Fernanda percebia que algumas crianças não conseguiam ficar no peso ideal - algumas estavam abaixo e muitas acima.

Havia ainda casos de desnutrição. Em 2009, ela inscreveu o projeto Correndo Por Um Ideal em um edital de patrocínio da Nestlé. Foi selecionada.

"O edital não era voltado para projetos de esporte, mas o nosso foi o único programa esportivo selecionado no Brasil todo", conta Fernanda.

Avaliação. Além do exercício físico e do acompanhamento com as nutricionistas, alunas da Universidade Federal Fluminense (UFF), as crianças passam por exames laboratoriais, numa parceria feita com a prefeitura de Niterói. Esses exames revelam, por exemplo, se as crianças estão anêmicas, se têm verminose ou colesterol alto.

"O que dá certo é a união de forças. Conseguimos apoio da universidade, da prefeitura, fizemos palestras nas escolas, chamamos os pais. Durante dois anos, representamos o Brasil na Conferência Mundial de Saúde Infantil, em que trocamos experiências com projetos do mundo todo", afirma a triatleta.

No caso de Carlos Rodrigues da Silva, de 12 anos, os exames sucessivos só trouxeram boas notícias. Diabético, ele estava prestes a iniciar o tratamento com insulina quando ingressou no programa de saúde. A taxa de glicose, que começou acima de 200, baixou para 90, dentro do limite considerado ideal.

"Gordinho? Eu estava muito gordo. Eu comia de tudo e as taxas desregulavam. Eu ficava muito cansado, quase desmaiava", diz o menino.

Dedicação. Carlinhos não deixou o projeto nem quando a casa dele foi interditada pela Defesa Civil, com as chuvas que devastaram a cidade, em 2010. Nos seis meses em que morou numa escola pública, acordou às 5h30 para não perder as atividades esportivas.

Das mais de 500 crianças atendidas no Instituto Fernanda Keller, hoje 200 estão inscritas no Correndo Por Um Ideal. "O principal critério é o comprometimento familiar. Por causa disso, temos uma evasão mínima e fila de espera", diz Priscilla Accorsi Voss, coordenadora pedagógica e de projetos do instituto.

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