Valeria Gonçalvez/Estadão
Valeria Gonçalvez/Estadão

Projeto de Covas pode anistiar 150 mil imóveis irregulares em SP

Em proposta enviada à Câmara, Prefeitura prevê a regularização automática de imóveis com até 150 metros quadrados

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 22h16

A Prefeitura de São Paulo enviou à Câmara Municipal um projeto que propõe anistiar imóveis irregulares construídos antes da aprovação do Plano Diretor de 2014. A proposta inclui regularização automática de todas as residências com até 150 metros quadrados, desde que atendam a requisitos básicos.

A estimativa da Secretaria de Licenciamento é que a medida, caso seja aprovada pelos vereadores, beneficie cerca de 150 mil imóveis. O número é projetado com base nas duas anistias imobiliárias anteriores na capital paulista, de 1994 e 2003.

Entre as propostas está a dispensa da exigência de oferecer estacionamento e área para carga e descarga para prédios que tenham uso religioso. A condição para que sejam beneficiadas é que cumpram regras do zoneamento, acessibilidade e estejam em ruas com 8 metros de largura ou mais. 

Construções em áreas de preservação permanente (APP), em galerias destinadas ao armazenamento de água da chuva ou que sejam alvo de processos judiciais, como no caso de ocupações irregulares, não serão consideradas para o benefício. O projeto prevê três modalidades para regularização que, segundo a Prefeitura, levam em conta a complexidade da construção.

Além da anistia automática, que não depende do pedido do proprietário para ser efetivada, há uma categoria para prédios residenciais de até 20 unidades, habitações de interesse social, habitações populares e casas com área construída de até 500 metros quadrados.

Nesse caso, os interessados devem enviar os dados do imóvel à Prefeitura, além de comprovantes do pagamento do Imposto Sobre Serviços (ISS) relativos à área e do Certificado de Regularização. A Prefeitura estipula taxa de R$ 15 por metro quadrado regularizado.

A terceira modalidade se refere a todos os imóveis construídos antes de julho de 2014 que não se encaixem nas categorias anteriores, incluindo imóveis comerciais. Nesse caso, a regularização depende da análise da Prefeitura, e deve ser aprovada por um profissional habilitado.

O projeto ainda diz que obras para regularizar as condições básicas de higiene, segurança, acessibilidade e estabilidade podem ser aceitas como contrapartida na regularização. “Os processos de licença serão protocolados e analisados digitalmente, o que vai facilitar ainda mais os procedimentos de análise”, disse a Secretaria de Licenciamento, em nota.

Segurança

A advogada Carolina De Rosso, especialista em Direito Imobiliário do escritório Neves, De Rosso e Fonseca Advogados, diz que a iniciativa da Prefeitura pode levar uma quantidade significativa de proprietários a se adequar a normas, obtendo alvarás dos bombeiros, por exemplo, que atestem as condições de segurança dos imóveis. Isso porque, para a anistia, há requisitos básicos exigidos.

“Você acaba desencadeando uma revisão da questões de segurança para poder se beneficiar da lei”, diz Carolina, que classificou a proposta como “essencial”. Já em relação à mudança para imóveis onde há uso religioso, ela diz que uma “questão política” pode ter motivado a inclusão do dispositivo. “(A proposta) não impacta muito a segurança.”

Segundo a Prefeitura, cerca de 98 mil pedidos de regularização foram feitos com base na última “lei de anistia” imobiliária, sancionada em 2003. Outros 45 mil protocolos foram abertos com base na lei anterior a esse período, em 1994, quando existiu iniciativa semelhante.

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