Projeto incentiva plantio de florestas

Setor precisa, porém, criar uma base para produção de sementes, um dos entraves para a expansão do cultivo

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2007 | 04h34

Para suprir a demanda interna por madeira o Brasil teria de produzir quatro vezes mais. A área com florestas plantadas é estimada em 5,3 milhões de hectares, conforme o anuário 2007 da Associação Brasileira dos Produtores de Floresta Plantada (Abraf). ''Mas precisaríamos hoje de 20 milhões de hectares plantados'', calcula o pesquisador da Embrapa Helton Damin da Silva, que coordena o projeto Florestas Energéticas, apresentado no último dia 25, em Jaguariúna (SP).O projeto é liderado pelas unidades Florestas, Agroindústria de Alimentos e Meio Ambiente da Embrapa, e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, e conta com a participação de mais 70 empresas públicas e privadas.O objetivo é aumentar a área de florestas plantadas no País, com foco na produção de energia. Mas há um entrave a ser superado: a falta de sementes. ''Se quisermos dobrar a área plantada, hoje, não temos sementes suficientes'', diz.Por isso, uma das principais frentes de trabalho é a formação de um banco de germoplasmas e sementes para estruturar a expansão, as chamadas áreas de produção de sementes, e plantios-pilotos de espécies potenciais. ''Temos de ter esse material para oferecer para o produtor, seja pequeno, médio ou grande.'' Com isso, destaca Silva, espera-se que a curto e médio prazos o projeto tenha sementes de qualidade disponíveis para atender aos novos plantios comerciais.A idéia é a de que a expansão aproveite áreas que já foram exploradas e que estão degradadas e vazias. ''O Brasil tem 11% da área agricultável sem nenhum plantio, nem vegetação nativa. Portanto, estas novas florestas não vão competir com outras atividades.''Outro fator importante, diz, é que esta expansão pode reduzir a pressão sobre os recursos naturais. ''Essa demanda que as florestas plantadas não conseguem atender é suprida hoje por vegetação nativa. A falta de oferta é responsável pelos desmatamentos e explorações clandestinas.''Eucalipto e nativasAlém de eucalipto e pinus, espécies florestais exóticas responsáveis por quase 90% das florestas plantadas atualmente no Brasil, o projeto pretende investir no desenvolvimento de espécies nativas. ''Não podemos nos iludir. A curto prazo, a expansão será feita à base do eucalipto, que já tem todo o pacote tecnológico pronto. Mas temos indicativo de algumas espécies, como o angico, o tachi branco e a bracatinga, que têm potencial'', diz Silva.Estas espécies nativas serão importantes também para outros desafios do projeto: melhorar o aproveitamento tradicional da energia e aumentar os derivados energéticos de alto valor agregado. Para se ter idéia, o fogão à lenha, que para muitos é um instrumento ultrapassado, utiliza quase 30% da energia de madeira produzida no País. ''Outro objetivo é extrair desse processo de aproveitamento da madeira para energia produtos mais nobres, como gás, óleo e gás de síntese'', complementa o pesquisador.Informações: Embrapa Florestas, tel. (041) 3675-5600 ou www.cnpf.embrapa.br

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